Polícias e guardas mostram cartões vermelhos ao Governo em Braga
21 de jan. de 2020, 18:58
— Lusa/AO Online
Além
dos cartões vermelhos, os manifestantes também fizeram uso de apitos
para “marcar as faltas” que consideram estarem a ser cometidas pelo
executivo de António Costa no que se refere ao tratamento dado às forças
de segurança. “O principal motivo da
nossa revolta é a falta de atualização salarial, que já vem desde 2009”,
disse o líder da Associação Sócio-Profissional da Polícia. Segundo
Paulo Rodrigues, a não atualização ganha contornos “mais dramáticos”
face aos “baixos salários” auferidos pelas forças de segurança.Sublinhou que um polícia em início da carreira ganha 789 euros, “só mais 39 euros que o salário mínimo”.Há também polícias com 31 anos de serviço que, sem suplementos, ganham 1.200 euros. “É miserável”, referiu. As queixas são extensivas à GNR, como disse César Nogueira, da Associação de Profissionais da Guarda. “O
Governo vai falando e mostrando abertura em relação a algumas questões,
como a dos equipamentos, mas o ponto fulcral é o salarial”, referiu,
adiantando que a proposta da associação é que um guarda em início de
carreira ganhe um quarto do vencimento do comandante-geral.“Com os atuais salários, como é que um guarda pode fazer aos encargos familiares?”, questionou.Além
da questão salarial, entre as reivindicações na base do protesto, estão
o pagamento do subsídio de risco, atualização salarial e dos
suplementos remuneratórios, criação de legislação relacionada com
higiene e saúde, aumento do efetivo e mais e melhor equipamento de
proteção pessoal. Organizada por sete
sindicatos da PSP e pela Associação dos Profissionais da Guarda
(APG/GNR), a manifestação teve como “pano de fundo” o jogo entre o
Sporting de Braga e o Sporting Clube de Portugal, da “Final Four” da
Taça da Liga em futebol.“Temos de
aproveitar a visibilidade que um jogo destes tem para fazermos ouvir a
nossa voz. A sociedade tem de saber em que condições trabalhamos”,
referiu Paulo Leite, do Sindicato dos Profissionais da Polícia. Paulo
Leite apontou o caso do Comando de Braga, em que “são os polícias que
compram os aquecedores e as ventoinhas com dinheiro do seu bolso”.Esta
concentração e outras que decorreram também hoje em outros pontos do
país deram início aos protestos que os elementos da PSP e GNR pretendem
organizar mensalmente até que o Governo responda às reivindicações,
estando a ser ponderadas a entrega das armas de serviço e uma greve de
zelo. No âmbito do calendário de
negociações com os sindicatos e as associações socioprofissionais das
forças de segurança, já se realizaram três reuniões no Ministério da
Administração Interna sobre pagamento dos retroativos dos suplementos
não pagos em período de férias, plano plurianual de admissões e
suplementos remuneratórios. Estão
previstas outras duas reuniões, uma em 13 de fevereiro sobre a lei de
programação das infraestruturas e equipamentos das forças e serviços de
segurança, e a outra em 05 de março sobre segurança e saúde no trabalho.
O ministro Eduardo Cabrita já anunciou o
recrutamento de 10 mil elementos para a PSP, GNR e SEF até 2023, no
âmbito do plano plurianual de admissões.