Polícia inicia ações junto de adolescentes para alertar para consumos aditivos
28 de abr. de 2025, 10:06
— Lusa/AO Online
A
operação “Vive na Real! – Não na Dependência” realiza-se em todo o país
durante as duas próximas semanas com o objetivo de “prevenir a
criminalidade e delinquência, nomeadamente, o consumo de substâncias
psicoativas e a perturbação de adição aos videojogos e à utilização de
dispositivos eletrónicos”, refere a PSP em comunicado.A
polícia recorda os dados que mostram uma mudança nos consumos e
dependências, como é o “evidente aumento da utilização da canábis” por
parte da população em geral e uma maior procura de ecstasy e anfetaminas
pelos mais novos.Além disso, nos últimos
anos, há cada vez mais pessoas dependentes dos videojogos (gaming) e de
outras plataformas do mundo virtual, que foram ganhando expressão
durante a pandemia, em parte devido ao confinamento.Um
estudo recente alertou para o perigo de jogos que "podem desencadear um
comportamento aditivo no utilizador", acrescenta a PSP, dando como
exemplo os jogos baseados no desenvolvimento de um personagem
(conhecidos por RPG – Role-Playing Game ou MMORPG - Massively
Multiplayer Online Role-Playing Game).A
perturbação de adição aos videojogos já faz parte, desde 2018, da lista
do Manual de Classificação Internacional de Doenças (ICD-11) da
Organização Mundial de Saúde (OMS).As
manifestações dessa adição manifestam-se de várias maneiras, desde o
tempo excessivo despendido a jogar até à prioridade crescente dada aos
videojogos em relação a outros interesses.O
último estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as
Dependências (ICAD), no qual participaram cerca de 11 mil alunos entre
os 13 e os 18 anos, revelou que 30% passa pelo menos quatro horas por
dia a jogar nos dias em que não têm aulas e que 39% joga pelo menos
quatro dias por semana.Um outro estudo do
ICAD feito apenas com jovens de 18 anos mostrou que a maioria (61%) usa
diariamente, em média, a internet durante quatro horas ou mais, sendo
que 40% ultrapassam as cinco horas.Os
rapazes começam a usar a internet ligeiramente mais cedo, mas as
raparigas despendem mais tempo em frente ao ecrã. No geral, “41% dos
jovens iniciaram a utilização da internet antes dos 10 anos”.Perante
este cenário, a PSP apela à comunicação de quaisquer situações
relacionadas com adições nos mais jovens, em contexto escolar ou em
qualquer outro tipo de ambiente.Além
disso, a PSP recorda que as equipas da Escola Segura estão
disponíveis para dar ações de sensibilização e acorrer a quaisquer
pedidos de intervenção, que devem ser feitos de forma presencial ou
através do canal escolasegura@psp.pt.