Polícia de Berlim usa canhões de água contra manifestação anti-restrições
Covid-19
18 de nov. de 2020, 13:37
— Lusa/AO Online
Pouco antes, a polícia tinha
ordenado a dispersão desta aglomeração, que juntou entre 5.000 e 10.000
pessoas perto da Porta de Brandeburgo, no coração da capital, após ter,
sem sucesso, ordenado que respeitassem as instruções sanitárias.Milhares
de pessoas juntaram-se hoje no centro de Berlim para protestar contra
as medidas impostas no âmbito da pandemia da covid-19 enquanto os
deputados debatem um projeto de lei para reforçar a capacidade das
autoridades de impor restrições.Os
protestos em frente ao edifício do parlamento foram proibidos por
questões de segurança e foi criado um cordão de segurança numa ampla
área, incluindo em volta do Bundestag (o parlamento alemão), dos
gabinetes parlamentares, da chancelaria federal e da residência e
gabinetes presidenciais, para evitar que algum manifestante desafiasse a
proibição.A multidão estava a ser observada por helicópteros da polícia, que acabou por usar canhões de água para dispersar as pessoas.Como
a maioria dos protestos contra as restrições ligadas ao coronavírus, os
manifestantes vieram de todas as esferas políticas e sociais, desde a
extrema-esquerda até à extrema-direita, mas incluindo também famílias,
estudantes e outros grupos.“Queremos as
nossas vidas de volta”, lia-se numa faixa empunhada por manifestantes,
enquanto um cartaz reivindicava "Coloquem os bancos sob vigilância, não
os cidadãos”.Um manifestante segurava uma
bandeira com uma foto do Presidente dos EUA, Donald Trump, e uma imagem
invocando a teoria da conspiração de direita “QAnon”, enquanto outro
exibia um cartaz com a imagem do principal virologista alemão, Christian
Drosten, vestido com uma farda de prisioneiro e acompanhado da palavra
“culpado”.Os protestos ocorreram quando os
deputados alemães iniciaram o debate sobre o projeto de lei que
pretende reforçar a base legal para que o Governo decrete regras de
distanciamento social, exija uso de máscaras em público e encerre lojas e
outros locais para reduzir a propagação do vírus.Embora
tais medidas sejam apoiadas pela maioria das pessoas na Alemanha, uma
minoria tem feito manifestações regulares em todo o país, argumentando
que as restrições são inconstitucionais.É
esperado que as medidas sejam aprovadas tanto pela câmara baixa como
pela câmara alta do parlamento e sejam rapidamente assinadas pelo
Presidente da Alemanha.O ministro dos
Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, reagiu bruscamente à acusação de
alguns manifestantes de que as medidas eram semelhantes à Lei de
Concessão de Plenos Poderes, de 1933, que permitia aos nazis promulgar
leis sem aprovação parlamentar.“Toda a
gente tem, naturalmente, direito a criticar as medidas, a nossa
democracia prospera através da troca de opiniões diferentes. Mas quem
relativiza ou banaliza o Holocausto não aprendeu nada com a nossa
história”, escreveu o ministro na rede social Twitter.Uma
manifestação realizada no início deste mês na cidade de Leipzig
terminou em caos quando milhares de manifestantes desafiaram as ordens
da polícia, primeiro para usar máscaras e depois para dispersar, tendo
alguns participantes agredido polícias e jornalistas.As
autoridades locais foram criticadas por agirem muito devagar e sem a
força suficiente para dispersar a multidão em Leipzig, permitindo que a
situação ficasse fora de controle.A
polícia de Berlim explicou o uso de canhões de água com o facto de feito
vários avisos a quem estava a violar a regra do uso de máscara e da
manutenção do distanciamento social, tendo sido completamente ignorada.A
Alemanha, que foi elogiada pela forma como lidou com a primeira vaga do
vírus, registou recentemente um aumento acentuado do número de novas
infeções e está agora num segundo confinamento parcial para tentar
diminuir a propagação da doença.No total, o país regista 833.000 casos de coronavírus e mais de 13.000 mortes desde o início da pandemia.