Polícia contabiliza 119 mortos e 113 detidos em megaoperação no Rio de Janeiro
31 de out. de 2025, 11:57
— Lusa/AO Online
Em conferência de
imprensa, o secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro frisou que
esta ação foi “o maior baque” que o Comando Vermelho já teve, desde a
sua fundação e que "nunca houve perda (para o grupo) tão grande de
drogas, armas e lideranças”.Felipe Curi
detalhou que aos 58 mortos contabilizados na terça-feira se somam 61
corpos “achados hoje”, referindo que a polícia optou por fazer uma
manobra tática que foi tirar os criminosos das edificações e levá-los
para a área de mata.Sobre os números da
operação, acrescentou que foram apreendidos 91 fuzis, 26 pistolas e um
revólver, além de milhares de munições e toneladas de drogas, que ainda
estão a ser contabilizadas.Também
em conferência de imprensa, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio
Castro frisou que "tirando a vida dos polícias, o resto da operação foi
um sucesso".Em relação aos corpos
retirados na área de mata (que a Polícia diz serem 61 enquanto moradores
afirmam ter retirado 74 corpos), Cláudio Castro considerou que todos
eram criminosos."Não acredito que havia
alguém passeando em área de mata em um dia de operação", disse,
referindo-se à operação policial mais letal da história do Rio de
Janeiro.Perante as críticas recebidas por
parte da esquerda e de alguns ministros do Governo brasileiro, o
governador afirmou que não entrará numa “batalha política” nem numa
“polarização”.Os dados da Polícia são
menores do que os apresentados pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro
(o equivalente brasileiro ao sistema português de apoio judiciário),
que referiu 132 pessoas mortas, depois de moradores dos bairros afetados
terem estado à procura de familiares desaparecidos e começado a reunir e
expor dezenas de corpos numa praça.Funcionários
deste organismo acompanham desde a madrugada de hoje as buscas no
Complexo da Penha, um dos focos da operação, e estão presentes nos
institutos de medicina legal responsáveis pela identificação dos
cadáveres, segundo um comunicado.Além
disso, a Defensoria Pública afirmou ter recolhido testemunhos de
moradores e familiares das vítimas para “contribuir para a necessária
resposta institucional perante uma violência estatal nunca antes vista”.Cerca
de 2.500 polícias realizam, na terça-feira, esta megaoperação nas
comunidades que compõem os complexos de favelas da Penha e do Alemão,
com o objetivo de prender os líderes da organização. Membros
da organização criminosa utilizaram várias armas de fogo de alto
calibre e até 'drones' com bombas para enfrentar a polícia e bloquearam,
na terça-feira, várias e importantes vias no Rio de Janeiro,
paralisando parcialmente a cidade.Organizações
não-governamentais, Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Direitos Humanos (ACNUDH) e hoje, o secretário-geral da ONU, António
Guterres, mostraram preocupação com o elevado número de vítimas.O
ministro da Justiça do Brasil, Ricardo Lewandowski, afirmou que o chefe
de Estado, Lula da Silva, ficou "estarrecido" com o número de mortos da
megaoperação e que "se mostrou surpreso que uma operação desta
envergadura fosse desencadeada sem conhecimento do Governo federal, sem
nenhuma possibilidade de o Governo federal participar de alguma forma".O
Comando Vermelho dedica-se principalmente ao tráfico de drogas e de
armas, e o seu centro de operações situa-se no estado do Rio de Janeiro,
onde controla algumas comunidades da cidade, embora tenha presença em
grande parte do país, especialmente na região da Amazónia.A
organização nasceu na década de 1980, quando a ditadura militar
concentrou nas mesmas prisões delinquentes comuns e membros de grupos de
guerrilha com formação política e até militar.