Polícia afasta moradores à força em bairro de Loures onde estão previstas demolições
14 de jul. de 2025, 12:44
— Lusa/AO Online
O clima está muito tenso entre a polícia e
várias dezenas de moradores, entre homens, mulheres e crianças, que
gritam por “outra solução” e pedem uma reunião com o presidente da
Câmara de Loures, Ricardo Leão (PS). Segundo o movimento Visa Justa e advogados no local, esta operação está a ser executada sem mandado judicial.
Entretanto, alguns moradores deitaram-se no chão à
entrada do bairro, tentando impedir o avanço dos veículos mobilizados
para as demolições. A Lusa aguarda respostas do município sobre a operação.
No fim de semana, o movimento Vida Justa indicou que esta semana os
municípios de Loures e Amadora vão demolir cerca de 80 habitações e
deixarão as famílias, incluindo 70 crianças, sem uma alternativa de
habitação.O movimento considerou que as
ações das duas câmaras, no distrito de Lisboa, "desrespeitam os
despachos judiciais já proferidos e conhecidos dos municípios" no âmbito
de providências cautelares feitas por vários moradores para suspender
as demolições.Em Loures as demolições
decorrem no Talude Militar, onde já houve demolições no final de junho. A
autarquia afixou na sexta-feira, 11 de julho, editais no bairro
anunciando novas demolições e deu aos moradores 48 horas para as
desocupações. Em causa, acrescentou o Vida Justa, estão "mais de 60
habitações".Também na Amadora, relatou,
foram afixados editais com vista à demolição de 16 habitações na Estrada
Militar (Mina de Água). Também aí as famílias têm dois dias para sair.Contactada
pela Lusa também no fim de semana, a Câmara de Loures disse que as suas
atuações são "sempre dentro da legalidade e em respeito absoluto pelas
decisões judiciais e com prioridade à segurança, à saúde pública e à
dignidade humana".O município considerou
que o movimento Vida Justa continua "a instrumentalizar pessoas em
situação de vulnerabilidade", mas não apresenta "qualquer solução
concreta para o problema grave da proliferação descontrolada de
construções ilegais"."A Câmara Municipal
de Loures continuará a agir com responsabilidade, apoiando quem
demonstra vontade de cumprir e rejeitando liminarmente a edificação
desordenada de barracas no concelho", lê-se na resposta da autarquia.A
Câmara da Amadora, presidida por Vítor Ferreira (PS), disse que "não
permitirá a proliferação de construções ilegais" e que foram
identificadas novas construções ilegais na Estrada Militar da Mina
(antigo Bairro de Santa Filomena). Serão demolidas porque "representam
um retrocesso nos esforços que o município tem vindo a desenvolver".Segundo
a autarquia, as famílias tiveram acompanhamento para encontrar
"soluções legais e de emergência" que garantam "a saúde pública e a
dignidade humana".A Câmara da Amadora
disse que, em 2012, fez um importante investimento na erradicação do
Bairro de Santa Filomena para "repor a legalidade urbanística e
assegurar condições de vida dignas para todos os residentes" e que "não
compactua com soluções à margem da lei", defendendo que perante as
necessidades habitacionais haja uma resposta "de forma estruturada,
justa e legal".A autarquia acrescentou ter
em curso "um investimento significativo para resolver a situação
habitacional de 711 famílias há muito inscritas no programa municipal de
realojamento". Todos os anos são recebidos 1.200 pedidos de habitação
por parte de munícipes em situação de vulnerabilidade.Para
o movimento Vida Justa, estas demolições violam a lei (nomeadamente o
regime jurídico da urbanização e da edificação e a Lei de Bases da
Habitação e respetiva regulamentação) e também os compromissos do Estado
português em matéria de direitos humanos.