Polémico movimento de procuradores foi mantido para não frustrar expectativas
2 de set. de 2025, 17:58
— Lusa/AO Online
No discurso na
cerimónia de promoção e renovação de colocações de cerca de 70
magistrados do Ministério Público (MP) que hoje decorreu nos jardins da
Procuradoria-Geral da República, em Lisboa, Amadeu Guerra disse que o
Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) entendeu, sobre o
movimento que mereceu a contestação dos procuradores, que "fazia todo o
sentido realizá-lo" para "não frustrar expectativas" de promoção e
aproximação aos locais de residência destes profissionais.O
movimento, que se efetivou em 01 de setembro e que o Sindicato dos
Procuradores do Ministério Público (SMMP) classificou de "último prego"
na especialização destes magistrados, obrigou à acumulação de funções em
vários tribunais e jurisdições, o que o Procurador-Geral tem defendido
como necessário como medida de gestão face à falta de recursos.Essa
falta de meios, que Amadeu Guerra disse ter "marcado de forma muito
evidente este movimento" e que tem recordado em audiências com a
ministra da Justiça, levou mesmo a que fosse proposto um curso especial
de formação para procuradores.No entanto, a
falta de capacidade do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), onde
atualmente já decorrem cursos de formação regulares, levou a que "tal
opção não fosse, compreensivelmente, aceite", considerou o
Procurador-Geral da República.O SMMP
aguarda ainda o resultado da providência cautelar interposta para tentar
travar os efeitos deste movimento anual de magistrados e admitiu já
novas greves até ao fim do ano, excluindo, no entanto, que venham a
acontecer ainda este mês, em que os tribunais retomaram a sua atividade
em pleno após férias judiciais.Amadeu
Guerra defendeu que a saída de procuradores e a sua substituição deve
ser abordada com "melhor e atempado planeamento", prometendo para breve
um estudo com as previsíveis aposentações até 2030 e o número médio de
Magistrados em baixa prolongada para apresentar ao Ministério da
Justiça, elementos que "permitam planear as necessidades anuais" do
Ministério Público.No momento em que
dezenas de procuradores ascenderam à categoria de Procurador-Geral
Adjunto, Amadeu Guerra defendeu que, tal como tem vindo a ser proposto
para o acesso à categoria de juiz conselheiro no Supremo Tribunal de
Justiça, também se equacione que se possa chegar a Procurador-Geral
Adjunto mais cedo, permitindo a permanência em funções nessa categoria
mais tempo.Amadeu Guerra voltou a centrar
as “maiores preocupações” do MP na investigação criminal, considerando
“fundamental imprimir maior celeridade”, sobretudo “nos processos mais
complexos, envolvendo, geralmente, criminalidade económico-financeira”.Considerou
que deve ser melhorada a articulação entre tribunais e encontrada uma
uniformidade entre as várias instâncias e que é “imperioso garantir” que
o MP assuma a efetiva direção do inquérito e que se consegue uma maior
coordenação com as polícias, nomeadamente a Polícia Judiciária.Amadeu
Guerra quer melhor aproveitamento da “reduzida tecnologia disponível”
para análise da “vasta prova digital recolhida” e maior celeridade nos
resultados das perícias.