Pogacar prepara-se para igualar os recordistas apesar de Vingegaard e Seixas
Tour
Hoje 10:43
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
Desengane-se
quem pensa que o prodígio de 19 anos será uma séria ameaça ao reinado
do esloveno, pelo menos nesta edição; na estreia em grandes Voltas,
Seixas participará mais para aprender do que para ganhar, com o degrau
mais baixo do pódio, salvo azares dos dois vencedores das últimas seis
edições, a ser o máximo a que pode aspirar. Falta
experiência, mas também equipa, àquela que é a maior esperança francesa
em décadas de voltar a triunfar no Tour - há 41 anos que um ciclista
nacional não vence a prova - para rivalizar com os dois principais
voltistas do pelotão, sendo certo que o miúdo da Decathlon também terá
de lidar com a euforia da imprensa e dos fãs locais.Pelo
sexto ano consecutivo, a luta será entre ‘Pogi’ e o dinamarquês, com o
quatro vezes campeão a ser, inevitavelmente, mais favorito, até porque o
líder da Visma-Lease a Bike chega ao Tour com o desgaste acumulado de
um Giro em que só precisou de estar a 70/80% para ganhar com autoridade.Aos
27 anos, o líder da UAE Emirates tem praticamente um pleno de vitórias
esta temporada, em que só foi derrotado no Paris-Roubaix por Wout van
Aert (Visma-Lease a Bike), o grande ausente (por lesão) da 113.ª edição.Mais
uma vez, o esloveno elegeu cirurgicamente o calendário, completando as
‘lacunas’ na demanda para ser o melhor ciclista de sempre – ganhou a
Milão-Sanremo e as Voltas à Romandia e Suíça -, e chega ao Tour com a
missão de conquistar o seu quinto cetro, que lhe permitirá igualar
Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin.Dificilmente,
Pogacar, vencedor em 2020, 2021, 2024 e 2025, não se sagrará campeão da
edição que arranca no sábado, em Barcelona (Espanha), até por ter entre
os seus escudeiros o jovem mexicano Isaac del Toro, ‘vice’ do Giro2025 e
vencedor, esta temporada, do Tour Auvergne-Rhône-Alpes (ex-Critério do
Dauphiné) e do Tirreno-Adriático.O líder
da UAE Emirates é, com diferença, o melhor corredor da atualidade – e na
história só rivaliza com Merckx -, e Vingegaard, apesar de todas as
declarações públicas, só pode aspirar a ser ‘vice’ do esloveno pela
quarta vez.Após ter vencido as edições de
2022 e 2023, o campeão em título do Giro e da Vuelta alinhará com uma
Visma-Leasa a Bike mais débil sem a presença de ‘WVA’, mas com o
precioso apoio dos norte-americanos Sepp Kuss e Matteo Jorgenson, que
serão decisivos nas etapas de montanha. Com
os dois primeiros lugares aparentemente entregues, a lista de
pretendentes a ocupar o último degrau no pódio, em 26 de julho, em
Paris, é longa, a começar pelo duo de líderes da Red
Bull-BORA-hansgrohe.Florian Lipowitz e o
‘estelar’ Remco Evenepoel têm em comum o facto de terem sido terceiros e
melhores jovens das últimas duas edições do Tour, sendo expectável que a
formação alemã comece por proteger o duplo campeão olímpico em
Paris2024, que foi contratar à Soudal Quick-Step, este ano privada do
veterano Mikel Landa, ausente desta edição por lesão.No
entanto, a avaliar pelos resultados desta época e atendendo ao facto de
o belga não competir desde finais de abril, ‘Lipo’ será a mais segura
aposta da Red Bull-BORA-hansgrohe para estar no top 3 final. Entre
os inúmeros candidatos ao pódio estão também o equatoriano Richard
Carapaz (EF Education-EasyPost), o terceiro da edição de 2021, e o
espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek), que pela primeira vez chega ao Tour na
condição de chefe de fila.Embora tenha o
bloco mais homogéneo, apesar da ausência do dececionante espanhol Carlos
Rodríguez e do britânico Oscar Onley, o quarto no Tour2025 a recuperar
de lesão, a Netcompany INEOS não apresenta um real candidato ao top 3,
uma vez que nem o antigo campeão Egan Bernal (2019), o francês Kévin
Vauquelin, sétimo no ano passado, ou o neerlandês Thymen Arensman,
quarto no Giro2026, dão garantias.O
francês Lenny Martinez e o italiano Antonio Tiberi são candidatos ao top
10, em representação da Bahrain Victorious, tal como o australiano Ben
O'Connor (Jayco AlUla), o norueguês Tobias Halland Johannessen (Uno-X), o
britânico Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) ou o belga Cian Uijtdebroeks,
novo companheiro de Nelson Oliveira na Movistar.Depois
de ter igualado, no Giro2026, o recorde do polaco Sylwester Szmyd de 23
grandes Voltas sem desistências, o corredor luso de 37 anos pode agora
isolar-se caso conclua a 113.ª edição da ‘Grande Boucle’, que vai para a
estrada no sábado, em Barcelona (Espanha), e termina em 26 de julho, em
Paris.