Pobreza cai em Espanha mas taxa infantil continua a ser "alarmante"
4 de jun. de 2025, 16:27
— Lusa/AO Online
O relatório "O Estado da
Pobreza", apresentado pela Rede de Luta Contra a Pobreza e a
Exclusão Social no Estado Espanhol (EAPN-ES), faz uma análise anual dos
dados oficiais do Inquérito sobre as Condições de Vida do Instituto
Nacional de Estatística de Espanha.Segundo
o documento, o risco de pobreza e exclusão social em Espanha diminuiu
globalmente no último ano, de 26,5% para 25,8% da população, menos 200
mil pessoas e o número mais baixo desde 2014.Para
a EAPN-ES, é uma redução importante e resulta de uma aposta dos últimos
anos em políticas sociais, mas a organização sublinhou que a taxa ainda
supera os 25% e que não se registaram melhorias nos grupos mais
vulneráveis."As medidas que melhoraram a
situação a nível geral não chegaram precisamente às pessoas mais
vulneráveis, às pessoas que mais precisam", o que torna crónica a sua
situação e dificulta a possibilidade de saírem da pobreza, afirmou o
presidente da EAPN-ES, Carlos Susías.A
EAPN-ES sublinhou que o número de pessoas em situação de pobreza severa
em Espanha se manteve em 2024, quando 4,1 milhões viviam em lares com
rendimentos mensais inferiores a 644 euros "por unidade de consumo" (um
indicador que resulta da divisão de um rendimento pelo número de pessoas
da família, seguindo critérios diferentes em função da idade, por
exemplo).Na apresentação do relatório, a
EAPN-ES manifestou ainda preocupação com "a alarmante" taxa de pobreza
infantil em Espanha, desde há anos uma das mais altas da União Europeia
(UE). Segundo os dados oficiais, há 2,3 milhões de crianças e
adolescentes pobres no país.O documento
hoje apresentado em Madrid revela que a melhoria nos indicadores de
pobreza em 2024 foi desigual, já que, por exemplo, aumentaram as
disparidades a nível de género e piorou a situação da população
migrante, com mais de metade a estar em risco de pobreza ou de exclusão
social.Por outro lado, três em cada dez
pessoas que vivem em lares com menores estão em risco de pobreza ou de
exclusão social, com o relatório a chamar a atenção para as famílias
monoparentais, que em 50,3% dos casos vivem em risco de pobreza, e para
as famílias numerosas (49,1%).O relatório
conclui que o preço da habitação é um fator de empobrecimento e
desigualdade para grande parte da população espanhola: a despesa com a
casa representa mais de um terço do rendimento das pessoas pobres
(25,5%), que ficam, em média, com 333 euros disponíveis para gastar num
mês depois de pagarem a renda da casa e com 370 depois de pagarem o
empréstimo à habitação ao banco."Temos de
olhar para o que está a acontecer com a habitação porque é um elemento
que está a provocar o empobrecimento de famílias que teoricamente não
deveriam estar em situação de pobreza", afirmou Carlos Susías.Quanto
à pobreza infantil, a EAPN-ES apelou às autoridades espanholas para
adotarem medidas urgentes e estruturais, seguindo casos como o da
Bulgária, Grécia ou Roménia, que desde 2015 conseguiram reduzir as
respetivas taxas, enquanto em Espanha se mantém constante.