Pobres e toxicodependentes portugueses angariados 'online' para casamentos de conveniência
Hoje 10:51
— Lusa/AO Online
"A
angariação processa-se por via das redes sociais/"passa palavra" e é
direcionada essencialmente a mulheres/homens detetados em contextos
vulneráveis (situações de maior pobreza, desemprego ou precariedade,
ligações a consumo de estupefacientes, famílias desestruturadas,
exclusão social)", em particular nas "áreas metropolitanas de Lisboa e
do Porto e em zonas urbanas, de maior pressão migratória", indicou por
escrito, à Lusa, a força policial.Em 2025,
a PJ registou um número recorde de 177 novas investigações pelo crime
de casamento de conveniência, mais 65 do que em 2024, quando deram
entrada na força policial 112 processos, segundo o portal oficial das
estatísticas da Justiça.De acordo com a
força policial, o aumento está relacionado com a extinção, em junho de
2024, do mecanismo de manifestação de interesse e, por norma, os casos
chegam ao conhecimento das autoridades através de denúncias anónimas ou
das Conservatórias do Registo Central ou do Instituto de Registos e
Notariado, de comunicações no âmbito da cooperação internacional e de
investigações de auxílio à imigração ilegal."Com
o desenrolar das investigações, é comum constatar-se que há 'pontos
comuns' que podem indiciar redes organizadas, nomeadamente a nível da
angariação, quer de nubentes europeus, quer de cidadãos de países
terceiros, que estão dispostos a pagar para se legalizarem por via do
casamento", salientou a PJ.O aumento tem
sido sobretudo de cidadãos argelinos e tunisinos e, com menor
incidência, de nacionais de Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau, Índia,
Paquistão e Bangladesh.Segundo a lei que
regula a entrada e o afastamento de estrangeiros, quem se casar
exclusivamente para obter residência ou nacionalidade incorre numa pena
de um a cinco anos de prisão, enquanto quem criar condições para a união
fraudulenta arrisca de dois a seis anos de cadeia.