PM polaco contesta "decisões arbitrárias" e defende acordo sobre orçamento
UE/Cimeira
10 de dez. de 2020, 13:41
— Lusa/AO Online
“A
União Europeia (UE) precisa de um acordo sobre o fundo para a covid-19 e
o Quadro Financeiro Plurianual (QFP 2021-2027), mas também precisa de
certeza nas soluções legais e, para tal, temos de evitar decisões
arbitrárias e motivadas politicamente”, disse Morawiecki, em declarações
à entrada para o Conselho Europeu.“Para
evitar esta incerteza e esta ambiguidade, preparámos conclusões que são
um pré-requisito para avançar com o processo”, sublinhou.O
primeiro-ministro polaco considerou ainda que o seu país está “sob um
ataque injustificado” alertando que no futuro o mesmo pode acontecer a
qualquer outro: “Portugal ou Itália, Espanha, Grécia, França, Áustria,
República Checa, Hungria e os outros também podem ser atacados”.Morawiecki
disse também estar empenhado “num processo para se chegar a conclusões
precisas e claras sobre onde está a linha de demarcação entre o controlo
orçamental e todos os regulamentos anti-corrupção e anti-fraude”, que
disse apoiar totalmente, “e todos os regulamentos sobre o primado da lei
que estão nos tratados e devem ser cumpridos, segundo os
procedimentos”.“Misturar ambos cria uma
situação muito perigosa, onde premissas politicamente motivadas podem
gerar ataques a qualquer país”, considerou.O
impasse na aprovação do plano de recuperação da UE para superar a crise
da covid-19 não está oficialmente na agenda dos trabalhos, dado que já
foi aprovado em julho pelo Conselho, mas se a Polónia e a Hungria não
levantarem o seu veto, a União Europeia e a presidência portuguesa
iniciam o ano de 2021 sem a ‘bazuca’ de 1,8 biliões de euros para
recuperar da crise e somente com um orçamento anual de emergência.A
solução deverá passar por acrescentar uma declaração a clarificar os
termos da aplicação do mecanismo, segundo a qual não pode haver
suspensão de fundos sem que o Tribunal de Justiça da UE se tenha
pronunciado sobre as eventuais violações do Estado de direito que tenham
estado na origem de um procedimento. Todos os outros Estados-membros terão de concordar com a opção a ser apresentada hoje durante a cimeira.A
Hungria e a Polónia tinham vetado o QFP 2021-2027 e o Plano de
Recuperação da UE devido a uma cláusula que condiciona o acesso a fundos
comunitários ao cumprimento do Estado de Direito.