PM italiana considera China fundamental para paz e estabilidade no mundo
29 de jul. de 2024, 11:14
— Lusa/AO Online
"Existe
crescente insegurança a nível internacional e penso que a China é
inevitavelmente um interlocutor muito importante para lidar com todas
estas dinâmicas, partindo dos nossos respetivos pontos de vista, a fim
de refletirmos em conjunto sobre a forma de garantir estabilidade, paz e
o comércio livre", afirmou Meloni, citada pela agência noticiosa ANSA.Meloni sublinhou ainda a necessidade de relações comerciais equilibradas durante o encontro com Xi."Penso
que Itália também pode desempenhar um papel importante nas relações com
a União Europeia (UE) para tentar criar relações comerciais tão
equilibradas quanto possível", afirmou.A Itália e a UE no seu conjunto têm um défice comercial significativo com a China.Em
2023, o défice do comércio de mercadorias da UE com a China situou-se
em 291 mil milhões de euros, o que representou uma queda de 106 mil
milhões de euros, em relação a 2022 (-27 %).Xi
recebeu hoje no Grande Palácio do Povo a primeira-ministra italiana,
que anunciou no domingo um plano para "relançar a cooperação bilateral"
com a China, após Roma ter abandonado a Iniciativa Faixa e Rota, o
principal programa da política externa chinesa, sinalizando uma mudança
de postura face à China.Meloni optou por
não renovar um acordo com Pequim por mais cinco anos, em dezembro
passado, no âmbito de um programa com o qual Pequim procura cimentar a
sua influência global.No entanto, o Executivo italiano espera salvaguardar as relações com a segunda maior economia do mundo.Meloni
disse, no domingo, que a sua viagem é uma "demonstração da vontade de
iniciar uma nova fase e relançar a cooperação bilateral no ano que marca
o 20º aniversário da parceria estratégica abrangente" entre os dois
países.O Global Times, jornal oficial do
Partido Comunista Chinês, também indicou que a chegada de Meloni à China
serviria para "esclarecer mal-entendidos". Especialistas chineses
citados pela imprensa estatal sugeriram que a decisão de Roma se deveu
"à influência dos EUA e de outras potências ocidentais" e não à recusa
da Itália em cooperar com o país asiático ou à ideologia da chefe do
Governo italiano.Uma das principais queixas de Roma sobre a iniciativa foi o aumento do défice no comércio com o país asiático.Itália
era o único país do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias
do mundo, que assinou um memorando de entendimento no âmbito do programa
chinês.Durante a viagem, que inclui uma
paragem na cidade de Xangai, espera-se também a assinatura de acordos
comerciais e industriais bilaterais.De
acordo com fontes italianas, Meloni pretende atrair mais investimentos
chineses - por exemplo, no setor automóvel - para impulsionar o
crescimento económico de Itália.A
Iniciativa Faixa e Rota inclui a construção de portos, linhas
ferroviárias ou autoestradas, criando novas rotas comerciais entre o
leste da Ásia e Europa, Médio Oriente e África.O
maior relacionamento entre Pequim e os países envolvidos abarca um
incremento da cooperação no âmbito do ciberespaço, meios académicos,
imprensa, regras de comércio ou acordos financeiros, visando elevar o
papel da moeda chinesa, o yuan, nas trocas comerciais.Lançada
em 2013, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa simbolizou
uma mudança na política externa da China, de um perfil discreto para uma
postura mais assertiva, visando moldar o cenário internacional.