PM espanhol pede antecipação para 2025 do Pacto da UE para migrantes
Migrações
9 de out. de 2024, 11:45
— Lusa/AO Online
“Vamos exigir
uma política de corresponsabilidade e solidariedade em Bruxelas,
exigindo que toda a Europa se envolva efetivamente na gestão dos fluxos
migratórios que os países mediterrânicos recebem”, afirmou Pedro Sánchez
durante um discurso no parlamento espanhol.“Para
tal, pediremos à Comissão Europeia que antecipe a entrada em vigor do
Pacto sobre Migrações e Asilo” para que as suas disposições “comecem a
ser implementadas no verão de 2025 e não no verão de 2026”, acrescentou o
líder socialista.Os 27 Estados-membros da
União Europeia adotaram, em maio, uma série de normas para reforçar o
controlo da imigração, que está prevista entrar em vigor a meio de 2026.Este
pacto visa reforçar os controlos fronteiriços com procedimentos
destinados a facilitar o regresso à origem de migrantes cujo direito de
asilo seja rejeitado e estabelece um sistema de solidariedade entre os
Estados-membros no cuidado dos requerentes de asilo.O
pedido de Pedro Sánchez é feito numa altura em que as autoridades
espanholas enfrentam, há meses, um aumento das chegadas de migrantes
irregulares às Canárias, situadas ao largo da costa noroeste de África,
onde as tragédias migratórias estão a aumentar.Nos
primeiros nove meses de 2024, 30.808 migrantes – dos quais 12% (quase
4.000) eram menores – desembarcaram no arquipélago, o dobro do valor
registado no mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do
Interior.Perante o fluxo, as autoridades
das Canárias – que atualmente cuidam de cerca de 5.500 menores embora a
sua capacidade logística não ultrapasse 2.000 lugares – dizem-se
sobrecarregadas e apelam a mais solidariedade.Esta
pressão migratória aumentou a preocupação com as questões migratórias
no país. De acordo com uma sondagem publicada na terça-feira pelo diário
El Pais, 57% dos espanhóis consideram que há demasiados imigrantes em
Espanha e 41% dizem estar “preocupados” com a imigração – o que indica
um aumento de 16 pontos percentuais em relação há um ano e meio.Reconhecendo
que o assunto “é delicado”, Pedro Sánchez apelou, no entanto, a uma
abordagem aberta relativamente à migração, considerada essencial para
garantir “a prosperidade presente e futura” de Espanha.“Hoje,
mais de metade das empresas espanholas reportam dificuldades em
encontrar trabalhadores e o número de vagas por preencher já ultrapassa
as 150 mil”, lembrou.“Este é um nível recorde que, se não agirmos, se multiplicará nas próximas décadas”, acrescentou.O
líder socialista anunciou assim que no próximo mês vai também
apresentar uma “reforma dos regulamentos” de acolhimento de
estrangeiros, visando eliminar “procedimentos burocráticos inúteis” e
“facilitar os processos” de acolhimento de migrantes.