PM escocesa aconselha Liz Truss a demitir-se por “crise autoinfligida”
17 de out. de 2022, 17:22
— Lusa/AO Online
Num discurso na
Bute House, a sua residência oficial, Sturgeon qualificou de “desastre
financeiro” a atual situação económica do Reino Unido, na sequência do
plano revelado pelo novo ministro das Finanças britânico, Jeremy Hunt. Durante
a sessão, a líder escocesa apresentou o esboço político-financeiro na
perspetiva de uma Escócia independente, que inclui um regresso à União
Europeia (UE) e uma moeda própria, a libra escocesa. Momentos
antes, o Governo britânico tinha revelado as novas medidas económicas
que anulam a quase totalidade do plano económico previamente anunciado,
numa nova viragem do Governo conservador de Liz Truss. Sturgeon
insistiu na demissão do Executivo “o mais depressa possível”, ao
referir-se a “uma crise autoinfligida, humilhante e sem precedentes”.
Susteve ainda que a situação no Reino Unido “não é passageira” e
“arrasta a Escócia pelo caminho errado, sem que o tenha decidido”. O
Governo escocês pretende realizar um novo referendo sobre a
independência dentro de um ano, em 19 de outubro de 2023, nove anos após
o “Não” à independência se ter imposto por 55 por cento contra 45%,
numa consulta em que a incerteza económica foi decisiva no resultado da
votação. Na perspetiva de Sturgeon, uma
Escócia independente teria um Banco central desde o primeiro dia, e uma
moeda própria, a libra escocesa, “logo que seja possível”, mantendo
inicialmente a libra esterlina. “Recuperaríamos
a liberdade de movimento” com o acesso “ao mercado único, sete vezes
maior que o britânico”, argumentou a chefe do Executivo escocês nas suas
declarações. Segundo os últimos dados
oficiais, a atividade comercial com países da UE abrangeu 19% do total,
enquanto as transações com o resto do Reino Unido representaram 60%. Os
opositores à secessão da Escócia consideram que o documento apresentado
por Edimburgo é “incapaz de revelar detalhes sobre a moeda, o pagamento
de pensões e os efeitos devastadores de uma fronteira com o resto do
Reino Unido”, agumentou a porta-voz dos conservadores para as questões
económicas, Liz Smith. “Não aborda as
questões fundamentais que sempre foram colocadas” no caso de uma
eventual independência, e “é absurdo pretender-se que os escoceses”
votem pela secessão “sem que nenhuma destas perguntas tenha sido
respondida”, acrescentou Liz Smith.