PM do Canadá defende nova parceria com EUA antes da revisão do acordo comercial

Hoje 11:19 — Lusa/AO Online

Num discurso no Economic Club de Nova Iorque, Mark Carney apelou para uma reinvenção da cooperação bilateral em setores estratégicos confrontados com a concorrência global, numa referência ao futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).“O nosso principal objetivo nestas parcerias é aumentar a nossa autonomia estratégica. Porque vivemos num mundo onde a integração foi instrumentalizada”, afirmou.“Um país que não consegue alimentar-se, abastecer-se ou defender-se não é verdadeiramente soberano”, acrescentou o chefe de Governo canadiano, acrescentando que Otava está a diversificar as relações comerciais e a reduzir a dependência económica dos Estados Unidos através de acordos com dezenas de países.As declarações surgiram num contexto de tensão crescente entre os dois aliados, agravada pelas tarifas impostas pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, e por comentários deste sugerindo a integração do Canadá como “51.º estado” norte-americano.Carney disse que essas posições contribuíram para um aumento da insatisfação no Canadá e reforçaram o apoio político ao Governo, eleito com a promessa de enfrentar Washington em matérias comerciais.“O programa ‘Canadá Forte’ vai ajudar a tornar a América grande outra vez”, declarou, numa referência indireta ao 'slogan' político de Trump.Carney insistiu que a integração económica entre os dois países continua a beneficiar ambas as partes, destacando os setores energético, automóvel e de minerais críticos.O primeiro-ministro afirmou que as exportações canadianas de alumínio para os Estados Unidos equivalem à produção energética de “10 barragens Hoover” e questionou a viabilidade de substituir o Canadá como fornecedor.No setor automóvel, Carney afirmou que o Canadá é “o maior cliente” dos Estados Unidos e defendeu que um mercado norte-americano integrado continua a ser “a melhor e mais duradoura forma” de enfrentar a concorrência global.O chefe de Governo destacou as reservas canadianas de potássio, níquel, cobre e urânio, defendendo que o país pode tornar-se o fornecedor “mais fiável” de minerais críticos para os Estados Unidos, incluindo para as necessidades energéticas ligadas ao desenvolvimento da inteligência artificial.“Numa altura de crise energética mundial, o Canadá fornece aos Estados Unidos energia fiável e minerais críticos que ajudam a impulsionar o crescimento americano”, afirmou.Carney acrescentou que o Canadá fornece 99% das importações norte-americanas de gás natural, 85% das importações de eletricidade e 60% das importações de petróleo bruto.O primeiro-ministro reiterou que o Canadá continua a ser o maior cliente dos Estados Unidos, comprando mais produtos norte-americanos do que China, Japão e Alemanha juntos.“Sabemos que, quando o Canadá e os Estados Unidos tiveram divergências ao longo dos anos, conseguimos sempre resolvê-las, eventualmente, porque os nossos valores e interesses comuns são profundos”, declarou o chefe de Governo canadiano.O ministro responsável pelo comércio com os Estados Unidos canadiano, Dominic LeBlanc, vai deslocar-se a Washington na próxima semana para novas negociações comerciais.LeBlanc já tinha advertido que o acordo de comércio livre pode passar a ser sujeito a revisões anuais, considerando que a incerteza pode fazer parte da estratégia da administração Trump.