PM demissionário francês inicia ronda de contactos para aprovar orçamento
7 de out. de 2025, 16:28
— Lusa/AO Online
"Todos concordaram quanto a estas duas
urgências, com uma vontade partilhada de encontrar uma solução rápida.
Seguiu-se uma troca de opiniões sobre a urgência orçamental e os
parâmetros de um possível compromisso com as oposições", afirmou num
comunicado divulgado após a reunião.No
documento, Sébastien Lecornu afirma querer "concentrar as discussões" em
dois pontos: a aprovação do orçamento e "o futuro da Nova Caledónia", e
convida todas as forças políticas para prosseguir "as discussões" entre
"esta tarde e amanhã de manhã".Na mesa do
chefe de Governo estiveram dois antigos primeiros-ministros: Gabriel
Attal, que preside o partido fundado por Macron, e Édouard Philippe,
representante do grupo Horizontes, além de Marc Fesnau, do centrista
MoDem, liderado também por um antigo primeiro-ministro, François Bayrou.O
atual ministro do Interior em funções e líder do partido conservador
tradicional Republicanos, que fez parte dos últimos dois Executivos e
não esteve presente na reunião, Bruno Retailleau, afirmou que prefere
manter um contacto bilateral com Lecornu e que não pretende que o seu
partido seja associado ao macronismo.Retailleau,
que não esconde as suas ambições presidenciais para 2027, foi um dos
responsáveis pela queda de Lecornu, ao levantar dúvidas sobre a sua
continuidade no Executivo momentos após ter sido nomeado no passado
domingo, afirmando sentir-se traído pelo primeiro-ministro.A
demissão de Lecornu na segunda-feira, apenas 14 horas após ter revelado
a composição do seu Executivo, abriu uma nova crise em França.As
críticas a Macron intensificaram-se após a sua decisão de prolongar até
quarta-feira a missão de Lecornu à frente do Executivo, com o objetivo
de formar “uma plataforma de ação” que proporcione estabilidade ao
Governo e evite eleições antecipadas.O
chefe de Estado francês quer cumprir o atual mandato até 2027 e já
rejeitou a dissolução da Assembleia Nacional, apesar dos repetidos
pedidos dos partidos da oposição e das crescentes críticas vindas dos
seus aliados.O ex-primeiro-ministro
Gabriel Attal afirmou no canal de televisão TF1 que deixou de
compreender as decisões do Presidente, enquanto Édouard Philippe se
juntou hoje ao coro de vozes que pedem a antecipação das presidenciais.“Isso
seria digno do cargo”, afirmou Édouard Philippe, líder do partido
Horizontes e potencial candidato à Presidência, que considerou desolador
o espetáculo político que o país está a viver e que “entristece os
franceses”.Os diferentes partidos de
esquerda aguardam a convocatória por parte do primeiro-ministro enquanto
iniciam os seus próprios contactos, embora apareçam mais divididos do
que nas legislativas do verão de 2024, quando juntos formaram o grupo
parlamentar com mais deputados.Socialistas
e comunistas rejeitaram o apelo a um encontro comum lançado pelo partido
de esquerda radical França Insubmissa (LFI) de Jean-Luc Mélenchon, que
consideram demasiado radical por recusar qualquer diálogo com os
centristas.Ambos, tal como os ecologistas,
exigem a nomeação de um primeiro-ministro de esquerda que leve a cabo
uma mudança radical na política do país.Já
a LFI exige a demissão de Macron e, enquanto isso não acontece, irá
apresentar uma moção de destituição que tinha proposto há alguns meses
na Assembleia Nacional - um mecanismo nunca antes utilizado.Também
o presidente do partido de extrema-direita União Nacional (RN), Jordan
Bardella, reiterou no canal BFMTV o seu pedido por legislativas
antecipadas e, ao mesmo tempo, propôs um pacto à direita tradicional
para travar a esquerda.