PM defende “linha de financiamento própria” para defesa e pede novo PRR
UE/Cimeira
3 de fev. de 2025, 10:54
— Lusa/AO Online
“Quanto a esta nova
etapa de investimento em segurança e defesa que a União Europeia se
propõe concretizar nos próximos anos, é a nossa convicção que este
projeto requer uma linha de financiamento própria, sendo ela
naturalmente agora objeto de concertação ao nível dos 27
Estados-membros, juntamente com a Comissão Europeia”, declarou Luís
Montenegro.Falando em Bruxelas à chegada
do primeiro retiro de líderes da União Europeia, iniciativa criada para
debates mais informais entre os chefes de Governo e de Estado europeus, o
primeiro-ministro português disse que ser “importante que o
investimento, que é um investimento nesta fase de grande dimensão, possa
ser, por um lado, coordenado, que não haja repetição, redundância nos
investimentos e que todos os Estados-membros possam colocar em cima da
mesa a sua estratégia e a possam concertar com os demais”.“Do
lado do financiamento, que haja instrumentos de financiamento comum.
Creio que esta experiência do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR,
com base em emissão de dívida conjunta] nos mostrou que é possível, de
forma coordenada e comum, os Estados fazerem investimentos ao mesmo
tempo e é importante também que as regras de estabilidade que estão
definidas para as nossas finanças não possam ser, de alguma maneira,
incomodadas por uma matéria que é tão específica e que está hoje tão
prevista e assumida num compromisso temporal curto”, defendeu ainda.Ao
final da manhã, arrancou no Palácio d'Egmont (local independente e que
não pertence a qualquer instituição europeia) o primeiro retiro de
chefes de Governo e de Estado da UE, numa iniciativa de António Costa,
que tomou posse em dezembro passado, para promover o diálogo informal
entre os altos responsáveis europeus sem a pressão de chegar a
conclusões ou decisões, como acontece nas cimeiras europeias regulares.Quando
existe um “sentimento comum de urgência” entre os Estados-membros e “um
consenso” de que a UE necessita de reforçar as suas capacidades de
defesa e segurança e investir mais nesta área, este encontro informal
visa passar a mensagem de que esta aposta está agora na agenda
comunitária, numa altura de tensões geopolíticas como no Médio Oriente e
na Ucrânia e de uma nova era da política norte-americana.Portugal
está representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e entre os
participantes estão também o secretário-geral da Organização do Tratado
do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, e o primeiro-ministro do Reino
Unido, Keir Starmer, com a UE a tentar reforçar as parcerias
internacionais e construir uma Europa mais forte e mais autónoma na área
da defesa.Dados da Agência Europeia de
Defesa revelam que, entre 2021 e 2024, a despesa total com a defesa dos
Estados-membros da UE aumentou mais de 30%. Só em 2024, estima-se um
valor de 326 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 1,9% do
Produto Interno Bruto (PIB) da UE.Prevê-se que as despesas aumentem em mais de 100 mil milhões de euros em termos reais até 2027.Considerando
apenas os 23 países da UE que também são membros da NATO, a despesa com
a defesa foi de 1,99% do seu PIB combinado em 2024 e espera-se que seja
de 2,04% em 2025.Cálculos da Comissão
Europeia divulgados em junho passado revelam que são necessários
investimentos adicionais na defesa de cerca de 500 mil milhões de euros
durante a próxima década.