PM da Holanda em alta nas sondagens por gestão da pandemia
Covid-19
13 de abr. de 2020, 12:54
— Lusa/AO Online
Se, no princípio do ano,
analistas e comentadores questionavam o futuro político de Rutte e a
conveniência de se apresentar pela quarta vez as eleições depois de dez
anos à frente do executivo, o tom das últimas semanas é de elogios à sua
liderança e estratégia de combate ao novo coronavírus, interna como
externamente.Em várias sondagens
publicadas na última semana, o partido de Mark Rutte, o Partido Popular
para a Liberdade e a Democracia (VVD), sobe dos atuais 32 deputados na
câmara baixa do parlamento para 36 a 38, um aumento de quatro pontos
percentuais em relação a fevereiro.Os
diferentes estudos de opinião relacionam a subida com a gestão da crise
do coronavírus, considerada correta também por eleitores que
habitualmente não votam VVD.“A disputa
pública entre os líderes europeus ajudou-o na política interna e pode
aplanar-lhe o caminho. Rutte ainda carrega as cicatrizes da última
crise, pelo que não pode ser visto de livro de cheques na mão nas
reuniões europeias. Precisa de conseguir créditos entre os seus críticos
e continuar a ser um ator europeu viável e realista”, explicou o
analista Diederik Brink à agência EFE.Um
dos momentos decisivos apontados por comentadores e analistas foi o
discurso do primeiro-ministro ao país, em meados de março, o primeiro do
género na Holanda desde a crise do petróleo de 1973, considerado
equilibrado, confiante e aglutinador.O
lema de Rutte tem sido, desde o início da crise, a confiança na
maturidade dos holandeses, que considera dispensar a imposição de
restrições dada a capacidade de cada um de tomar as precauções adequadas
face aos riscos.“Cuidem uns dos outros. Conto convosco”, disse na mensagem ao país, vista por sete milhões de pessoas.Nenhum
dos outros três partidos da coligação de governo – o CDA
(democratas-cristãos), a CU (democratas-cristãos) e o D66
(sociais-liberais) - subiu nas últimas sondagens e alguns destes
partidos perderiam mesmo lugares se o país realizasse eleições agora.Por
outro lado, o partido que mais desceu nas sondagens foi o populista
Fórum para a Democracia (FvD), que em 2019 se tornou o maior partido no
Senado da Holanda, retirando a maioria ao atual executivo naquela
câmara.Apesar da popularidade da
estratégia de “confinamento inteligente” do governo, a Holanda, com uma
população de 17 milhões, regista 25.587 casos de infeção, com cerca de
1.000 novos casos por dia em média, e 2.737 mortos, em média 100 por
dia.O número de mortos é, contudo,
considerado subestimado, uma vez que só entram nos números associados à
covid-19 as mortes de pessoas que tenham testado positivo para o vírus
SARS-CoV-2.Segundo o instituto de
estatística holandês, CBS, na semana de 30 de março morreram mais 2.000
pessoas do que a média no período homólogo nos últimos anos.A
atual crise sanitária pôs por outro lado em destaque os cortes dos
últimos anos no serviço de saúde holandês, com falta de camas de
cuidados intensivos e de material individual de proteção.