PM considera que subida dos combustíveis não é suficiente para justificar intervenção do Governo
20 de jan. de 2025, 11:45
— Lusa/AO Online
“Os
aumentos de hoje são significativos, os combustíveis hoje estão muito
mais caros que ontem, mas também tem havido muitas semanas em que têm
diminuído. No cômputo geral, nos últimos meses, não há uma oscilação de
maneira a provocar uma mexida do ponto de vista da ação do Governo.
Quando houver, nós cá estaremos”, afirmou Luis Montenegro, a falar na
Maia, no distrito do Porto.Na cerimónia
que marcou o arranque da Maia como Capital Portuguesa do Voluntariado, o
chefe do Governo garantiu que não está a “desvalorizar aquilo que está a
acontecer hoje”, mas que não é possível “comparar isto com uma escalada
e uma inflação de preços como aquela que aconteceu há dois, três ano a
esta parte”“Eu quero dizer às portuguesas e
aos portugueses que enquanto este mecanismo funcionar de maneira a ter
descidas e poucas subidas, embora aconteça de quando em vez, nós
manteremos a nossa política sobre os combustíveis”, disse.E
continuou: “Se atingirmos algum momento um valor de subida constante,
permanente, que coloque em causa este equilíbrio, o Governo tomará as
medidas para diminuir o impacto fiscal sobre a formação do preço por
forma a não criar uma oscilação demasiada”, afirmou.A
partir de hoje, o gasóleo vai custar aproximadamente mais 5,5 cêntimos
por litro, enquanto o valor da gasolina ficará três cêntimos mais caro,
de acordo com as previsões do Automóvel Club de Portugal (ACP).Luis
Montenegro explicou que se “nas próximas três, quatro, cinco, dez
semanas", o preço dos combustíveis registar uma subida permanente, "aí o
Governo vai intervir”.“Nessa altura, nós
podemos utilizar nomeadamente o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e
Energéticos (ISP) para fazer uma correção dessa anomalia, e nós estamos
disponíveis para isso. Eu disse isto na oposição e mantenho a
disposição agora que estou com a responsabilidade de governar, não é a
altura de o fazer”, repetiu.No entanto, o
primeiro-ministro mostrou alguma preocupação: “Eu estou preocupado com
os efeitos que o aumento dos combustíveis, se for um aumento permanente,
provoca na vida das pessoas, na mobilidade das pessoas, nos orçamentos
das famílias e também estou preocupado com os efeitos que traz para a
economia porque um aumento de custos como o aumento do transporte faz-se
repercutir no preço final dos produtos”.Ainda
assim, salientou, não é altura para “haver aqui uma perturbação com
agentes políticos a levantarem um alarme que não é justificado”.“Vamos
falar verdade às pessoas. É um dia difícil, é um dia onde o custo está a
subir mas não estamos, nem de perto, nem de longe, numa circunstância
em que de um momento para o outro, temos diante de nós um cenário de
subida e escalada do preço constante”, referiu.