PM britânico recusa alinhamento com leis europeias em troca de acesso a mercado único
21 de nov. de 2022, 17:41
— Lusa/AO Online
Questionado após
um discurso na conferência anual da Confederação da Indústria Britânica
(CBI), em Birmingham, sobre o pedido das empresas para facilitar a
imigração e melhorar as relações com Bruxelas, Sunak recusou rumores de
um interesse numa aproximação."Deixem-me
ser inequívoco a este respeito. Sob a minha liderança, o Reino Unido não
procurará qualquer relação com a Europa que dependa do alinhamento com
as leis da UE”, afirmou.Sunak lembrou que
votou a favor da saída do Reino Unido da UE e que acredita que o
"’Brexit’ pode dar e já está a dar enormes benefícios e oportunidades
para o país”, como o controlo da imigração.No
domingo, o jornal Sunday Times avançou que o Governo estava a explorar a
hipótese de um acordo “tipo suíço” em diferentes áreas para ter mais
acesso ao mercado único europeu, o que foi desmentido pelo executivo.As
relações económicas e comerciais da Suíça são regidas por uma série de
acordos bilaterais que determinam que aquele país segue certas leis da
UE para poder aceder a uma parte do mercado único europeu.Quando
negociou o ‘Brexit’, o Reino Unido negociou um acordo que permite o
comércio sem tarifas nem quotas, mas implica controlos aduaneiros,
documentação adicional e restrições em setores como os serviços
financeiros porque deixou de ter acesso livre ao mercado único europeu.A
especulação surgiu após o ministro das Finanças britânico, Jeremy Hunt,
ter afirmado à estação pública BBC na semana passada que "ter comércio
sem restrições com os nossos vizinhos e países de todo o mundo é muito
benéfico para o crescimento”.A CBI
identificou hoje as limitações no acesso ao mercado europeu e no
recrutamento de mão-de-obra estrangeira pós-‘Brexit’ como duas das
“barreiras” que estão a impedir o crescimento económico.A
excessiva regulamentação sobre as empresas e um sistema de planeamento
urbano arcaico foram outros obstáculos identificados pelo diretor-geral
da CBI, Tony Danker, que pediu ao Governo para ser o "grande
desbloqueador do investimento do setor privado”."Os
nossos políticos fazem diariamente escolhas anti-crescimento para
atingir outros objetivos políticos. Respeito isso. Mas quando nos
confrontamos com estagflação e o enorme impacto no custo de vida, está
na altura de analisar bem essas escolhas”, afirmou o representante na
abertura da conferência anual, que decorre em Birmingham até
terça-feira.Segundo as estimativas do
Gabinete de Responsabilidade Orçamental, um organismo britânico
responsável por fiscalizar as contas públicas, a economia do Reino Unido
vai contrair 1,4% em 2023, enquanto a inflação vai situar-se nos 7,4%.