PM britânico quer discutir migrações no Conselho da Europa
16 de mai. de 2023, 10:22
— Lusa/AO Online
"É
muito claro que o atual sistema internacional não está a funcionar e
que as nossas comunidades e as pessoas mais vulneráveis do mundo estão a
pagar o preço. Precisamos de fazer mais para cooperar para além das
fronteiras e das jurisdições para acabar com as migrações ilegais e
parar os barcos”, defendeu, citado num comunicado.Em
concreto, Sunak vai defender a reforma do artigo 39.º do Regulamento,
que permite ao Tribunal indicar medidas provisórias, vinculativas ao
Estado visado, e propor que as medidas individuais de cada país sejam
acompanhadas por um sistema internacional de asilo. Além
de encontros com líderes de países vizinhos, o chefe de Governo
britânico vai reunir-se com a presidente do Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem (TEDH), Síofra O’Leary, para discutir a proposta de
lei destinada a desencorajar a imigração ilegal para o Reino Unido.Sunak
assumiu como prioridade do Governo britânico travar a chegada de
migrantes e candidatos a asilo em embarcações que atravessam o Canal da
Mancha, que desde janeiro já totalizaram quase 6.700, somando aos 45.756
de 2022. Atualmente em análise na Câmara
dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico, a proposta de lei
sobre a imigração ilegal, conhecida por ’Stop the Boats Bill’ [lei para
'Parar os Barcos’], visa impedir que pessoas que chegam ao Reino Unido
em pequenas embarcações possam pedir asilo no país.Em
vez disso, o Governo pretende detê-los e deportá-los para o país de
origem ou para um país terceiro. A legislação também vai limitar a
capacidade do TEDH de impedir a deportação de candidatos a asilo, como
fez no caso do Ruanda no ano passado.A
proposta de lei é controversa e alvo de críticas, nomeadamente do
Arcebispo da Cantuária, Justin Welby, que na semana passada declarou o
texto "moralmente inaceitável e politicamente inviável”. O
comunicado do gabinete do primeiro-ministro indica também que Rishi
Sunak vai reforçar o envolvimento do Reino Unido nos esforços europeus
para contrariar a invasão russa da Ucrânia iniciada em 2022. O
líder Conservador britânico recebeu na segunda-feira o Presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Londres, tendo prometido o envio de
mais equipamento militar, incluindo armas de longo alcance. Durante
a cimeira, Sunak vai ainda assinar a adesão do Reino Unido ao Registo
de Danos, um mecanismo destinado a registar e documentar provas e
reclamações de danos, perdas ou prejuízos sofridos durante a guerra para
que os ucranianos possam ser compensados pela Rússia.