PM britânico pede “paciência” e mantém confinamento para evitar segunda vaga
Covid-19
27 de abr. de 2020, 09:55
— Lusa/AO Online
“Temos de reconhecer o risco de
um segundo pico, o risco de perder o controlo sobre este vírus e deixar
que a taxa de contágio volte a subir acima de um. Porque isso
significaria, não só uma nova vaga de mortes e doença, mas um desastre
económico”, justificou. Boris Johnson
falava à porta da residência oficial, em Downing Street, para onde
regressou no domingo após duas semanas fora de Londres em convalescença
de uma infeção com Covid-19. "Eu sei que é
duro, e eu quero pôr a economia a mexer-se o mais depressa possível,
mas recuso desperdiçar todo o esforço e sacrifício do povo britânico e
arriscar um segundo grande surto e enorme perda de vida e a sobrecarga
do NHS [serviço nacional de saúde]”, argumentou. Dirigindo-se
diretamente aos britânicos, urgiu: “Peço-vos que contenham a vossa
impaciência porque estamos a chegar ao fim da primeira fase deste
conflito”. Enumerando os cinco critérios
que precisam de ser preenchidos para aliviar as medidas de
distanciamento social em vigor desde 23 de março, reiterou a necessidade
de reduzir o número de mortes, de pacientes hospitalizados e da taxa de
contágio, de aumentar a capacidade de testagem e de garantir que não
existe o risco de um segundo pico de infeções. Só
depois, adiantou, será possível “começar gradualmente a refinar as
restrições sociais e económicas e, um a um, acionar os motores da grande
economia britânica”, antecipando "decisões difíceis”. Sobre
o plano para o desconfinamento, disse que não será publicado ainda, mas
prometeu mais novidades nos próximos dias e “a maior transparência
possível”, em consenso com empresas, diferentes regiões do Reino Unido e
também com os partidos da oposição. “Os
preparativos estão em curso há várias semanas para permitir chegar à
fase dois desta luta, pois acredito que estamos no bom caminho para
ultrapassar a fase um”, garantiu.O
primeiro-ministro voltou hoje ao trabalho, apenas dois dias após o país
se ter tornado o quinto a ultrapassar a barreira das 20.000 mortes
provocadas pelo novo coronavírus, depois dos EUA, Itália, Espanha e
França.De acordo com o balanço de domingo
do Ministério da Saúde britânico, o Reino Unido registou 20.732 óbitos
durante a pandemia covid-19, e o número total de casos de contágio é
agora de 152.840.