PM britânica recusa reduzir despesa pública para compensar cortes fiscais
12 de out. de 2022, 15:31
— Lusa/AO Online
No
primeiro debate parlamentar após o “mini-orçamento” de 23 de setembro
que agitou os mercados financeiros, Truss respondeu ao líder do Partido
Trabalhista, Keir Starmer, que continua "absolutamente” empenhada no
compromisso de não cortar o investimento estatal."O
que vamos assegurar é que, a médio prazo, a dívida vai diminuir.
Fá-lo-emos, não reduzindo a despesa pública, mas assegurando-nos de que
gastamos bem o dinheiro público”, vincou.Mas
Starmer exortou o governo a recuar no "orçamento kamikaze”, alegando
que é responsável pela subida das taxas de juro dos créditos à
habitação."A economia está em turbulência, as pessoas estão realmente preocupadas”, disse. O
ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, antecipou para 31 de outubro a
apresentação da estratégia económica e fiscal do Executivo, acompanhada
de previsões oficiais de crescimento e dívida, a fim de tranquilizar os
mercados financeiros.Vários economistas,
nomeadamente o centro de estudos Instituto de Estudos Fiscais (Institute
for Fiscal Studies, IFS), estão convencidos de que os cortes fiscais
terão de ser cancelados ou compensados com reduções na despesa pública
para assim equilibrar as finanças do Estado.As
medidas anunciadas a 23 de setembro incluíam um pacote para congelar
os preços da energia, mas também outras reduções de impostos, o que
resultou na desvalorização da libra e aumento dos juros da dívida
soberana. A instabilidade no mercado
obrigacionista a longo prazo levou à intervenção de emergência do Banco
de Inglaterra para evitar o colapso de alguns fundos de pensões com
grandes investimentos em títulos do Tesouro. Hoje,
a libra caiu novamente depois de o governador do banco central, Andrew
Bailey, ter confirmado que o programa de compra de obrigações vai
terminar na sexta-feira, como previsto."A
minha mensagem para os fundos (de pensões) envolvidos - só faltam três
dias. Têm de acabar com isto", afirmou Bailey na terça-feira em
Washington, onde está a participar na reunião anual do Instituto de
Finanças Internacionais.