PM britânica Liz Truss ficou 'coxa' e sem autoridade
18 de out. de 2022, 12:39
— Lusa/AO Online
O Governo de Truss anunciou
segunda-feira que iria cancelar "quase todos" os cortes fiscais
anunciados há apenas 25 dias, no “plano de crescimento” de 23 de
setembro. As medidas foram anunciadas por
Jeremy Hunt, o ministro das Finanças nomeado na sexta-feira para
substituir o antecessor Kwasi Kwarteng, que foi despedido por Truss para
tentar acalmar os mercados financeiros e ameaças de revolta no Partido
Conservador.Para trás ficam as promessas
de congelar o imposto sobre as empresas [equivalente ao IRC] nos 19%,
que vai aumentar para 25% em 2023, reduzir o imposto sobre os
rendimentos [equivalente ao IRS] e outras reformas fiscais. "É
obviamente extraordinário, sem precedentes e deixa a primeira ministra
'coxa' ['lame duck'] no poder”, declarou o diretor do centro de estudos
UK in a Changing Europe, Anand Menon, à Agência Lusa. Na opinião deste politólogo, Truss está numa "posição incrivelmente fraca” cerca de 40 dias após tomar posse. Robert
Ford, professor de Ciência Política na Universidade de Manchester,
refere que, “no espaço de três semanas [Truss] perdeu o ministro das
Finanças, a autoridade política, afundou o mercado de obrigações e teve
de substituir o ministro por um grande opositor político que está a
ditar os termos da política que é o oposto que ela defendeu na campanha
para liderar o partido”. "A única razão
para ela ainda estar em funções é porque o Partido Conservador, cuja
profunda polarização ficou evidente na eleição interna que ela
eventualmente ganhou, está dividido novamente sobre como substituí-la”,
explica à Lusa. Uma eleição interna
“levaria muito tempo e aumentaria a incerteza”, admite, a propósito do
processo que se prolongou por oito semanas este verão para encontrar a
sucessora de Boris Johnson. "Ela está lá
por defeito - não porque tem autoridade, um programa ou porque a querem
lá. Mas não existe mecanismo para a remover até encontrarem uma
alternativa”, vincou Ford. De acordo com
as regras atuais, Truss fica imune a uma moção de censura interna nos
primeiros 12 meses, até setembro de 2023, pelo que o académico de
Manchester acredita que terá de ser encontrado um novo mecanismo e
consenso no partido para a substituir.Segundo
o site Odds Checker, as casas de apostas sugerem que o finalista
vencido e antigo ministro das Finanças Rishi Sunak é o favorito para
suceder a Liz Truss, seguido por Jeremy Hunt e o ministro da Defesa Ben
Wallace. Perante a falta de um candidato
que una as diferentes fações no partido, a antiga ministra da Cultura
Nadine Dorries sugeriu que só Boris Johnson tem "um mandato” para
assumir o posto, lembrando que ele ganhou as legislativas de 2019 com
maioria absoluta."As escolhas são simples -
apoiar Liz, senão trazer de volta Boris ou enfrentar umas eleições
nacionais dentro de semanas”, resumiu.Tendo
em conta que as sondagens mostram uma grande impopularidade de Truss e
indicam uma vitória esmagadora do Partido Trabalhista, Anand Menon não
tem dúvida de que o Partido Conservador "está disposto a fazer o que for
preciso para limitar os estragos nas próximas eleições”."O Partido Conservador é muito bom a reinventar-se”, garante, "é um partido especialista na metamorfose”.