PM britânica invoca “interesse nacional” e estabilidade económica para despedir ministro das Finanças
14 de out. de 2022, 14:43
— Lusa/AO Online
“A
minha prioridade é garantir a estabilidade económica que o nosso país
necessita. Foi por isso que tive de tomar as decisões difíceis que tomei”, explicou numa conferência de imprensa. Truss
garante que mantém a missão de "elevar os níveis de crescimento
económico” do Reino Unido, mas admitiu que, "em última análise, é
necessário garantir a estabilidade económica", pelo que teve de "agir no
interesse nacional".Numa declaração
inicial, Truss disse ter “imensa pena” de perder o “grande amigo”
Kwarteng que partilha a sua "visão de colocar " o Reino Unido "no
caminho do crescimento”. Para o lugar
nomeou Jeremy Hunt, "um dos ministros e parlamentares mais experientes e
amplamente respeitados”, o qual será responsável por apresentar o plano
fiscal a médio prazo a 31 de outubro. De
forma a acalmar a volatilidade nos mercados financeiros observada após a
apresentação do plano de crescimento económico a 23 de setembro, a
primeira-ministra aceitou aumentar de 19% para 25% o imposto sobre as
empresas em abril de 2023. Esta medida,
que estava planeada pelo antecessor Boris Johnson mas que ela prometeu
cancelar, vai permitir arrecadar mais 18.000 milhões de libras (21.000
milhões de euros no câmbio atual), adiantou. Truss
já tinha sido forçada antes a abandonar a abolição do escalão máximo de
45% do imposto sobre os rendimentos, aplicado a ganhos superiores a
150.000 libras (172.000 euros) por ano, poupando também 2.000 milhões de
libras (2.300 milhões de euros). “É
evidente que partes do nosso mini-orçamento foram mais longe e mais
depressa do que os mercados esperavam”, admitiu, explicando que foi
necessário "agir agora para tranquilizar os mercados quanto à disciplina
fiscal” do executivo."Faremos o que for
necessário para garantir que a médio prazo [o peso da] dívida diminua em
relação à economia. Controlaremos a dimensão do Estado para assegurar
que o dinheiro dos contribuintes seja sempre bem gasto. O nosso sector
público tornar-se-á mais eficiente na prestação de serviços ao povo
britânico. E a despesa crescerá menos rapidamente do que anteriormente
previsto”, acrescentou. A deputada
Trabalhista e ministra sombra das Finanças, Rachel Reeves, considerou
esta inversão de marcha “humilhante”, mas necessária. “Os
verdadeiros danos já foram causados a milhões de pessoas normais que
agora pagam hipotecas muito mais elevadas e lutam para conseguir pagar
as contas”, lamentou.O partido Liberal
Democrata foi mais longe e pediu eleições legislativas antecipadas,
acusando Liz Truss de ter “destruído a economia” britânica, com o líder,
Ed Davey, a sugerir que está na "altura de o povo ter uma palavra a
dizer”.