PM britânica admite que “não vai ser fácil” convencer Bruxelas a reabrir acordo
Brexit
30 de jan. de 2019, 12:33
— Lusa/AO Online
"Há
pouco apetite por tal mudança na UE e negociá-la não será fácil",
afirmou no parlamento, após um voto que instrui o governo para
reabrir as negociações com a União Europeia. "Mas,
ao contrário de há duas semanas, esta Câmara deixou claro o que é
necessário para aprovar um acordo de saída", acrescentou.Uma
maioria de 317 deputados, juntando conservadores e o Partido Democrata
Unionista (DUP), aprovou uma proposta do deputado 'tory' Graham Brady,
que exige a substituição do chamado 'backstop' por "disposições
alternativas" para aprovar o texto.A
solução de salvaguarda, conhecida como 'backstop', visa evitar
controlos alfandegários após o 'Brexit' ao longo da fronteira entre a
Irlanda, país membro da UE, e a Irlanda do Norte, província do Reino
Unido.Esta é
uma medida temporária até que seja encontrada uma solução permanente,
mas deputados conservadores receiam que seja aplicada por um tempo
indeterminado, enquanto que o Partido Democrata Unionista (DUP) não
aceita que a Irlanda do Norte cumpra regras diferentes das do resto do
Reino Unido."Junto
com medidas para responder às preocupações sobre o papel do Parlamento
na negociação das futuras relações e compromissos sobre os direitos dos
trabalhadores, na lei, quando necessário, é agora claro que existe uma
rota que pode garantir uma maioria substancial e sustentável neste
parlamento para deixar a UE com um acordo", saudou May.O
debate de hoje pretendia determinar o rumo do processo do ‘Brexit'
depois de o parlamento ter rejeitado há duas semanas atrás por uma
margem de 230 votos o acordo de divórcio negociado com Bruxelas.Foram
votadas sete propostas, selecionadas pelo líder da Câmara dos Comuns,
John Bercow, entre mais de uma dezena submetidas mas cinco foram
declinadas, incluindo a do partido Trabalhista, que defendia a
negociação de uma união aduaneira ou a realização de um referendo. A
proposta da trabalhista Yvette Cooper, que dava aos deputados a
hipótese de obrigar May a pedir aos líderes europeus uma extensão do
artigo 50.º se não existisse um acordo de saída até 26 de fevereiro, foi
reprovada, apesar do apoio do partido Trabalhista.Porém,
também ficou confirmado que existe uma maioria no parlamento contra uma
saída sem acordo, refletida na aprovação da emenda proposta pela
conservadora Caroline Spelman contra esta hipótese. "Eu
concordo que não devemos sair sem um acordo. No entanto, a oposição
simplesmente a uma saída sem acordo não é suficiente para impedi-lo",
alegou a primeira-ministra, convidando a oposição, incluindo o líder do
partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, para encontrar um entendimento. Theresa
May prometeu voltar à Câmara dos Comuns nas próximas duas semanas com
um acordo modificado, o qual será sujeito novamente à votação dos
deputados. Se este texto for novamente chumbado, o governo fará uma declaração no dia seguinte, sujeita a modificações dos parlamentares.Se
o governo não conseguir reabrir e negociar um novo acordo com a UE até
13 de fevereiro, a primeira-ministra fará uma intervenção à Câmara dos
Comuns naquele dia e submeter uma declaração para debate e voto no dia
seguinte.