PM Attal pede a portugueses que votem e avisa que extrema-direita quer dividir por nacionalidade
França
2 de jul. de 2024, 11:11
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa à margem de uma ação de campanha no centro de Paris,
Gabriel Attal foi questionado se considera que os portugueses
residentes em França devem ir votar nas eleições de domingo.“Claro, é muito importante que todos os franceses vão votar”, respondeu o chefe do executivo francês.Gabriel Attal avisou que a União Nacional (Rassemblement National (RN), em francês) “quer dividir os franceses entre eles”.“Portanto,
se é francês com outra nacionalidade - e é o caso para três milhões e
500 mil franceses, porque têm origens e histórias familiares diferentes -
para a União Nacional isso significa que vale menos do que os outros”,
afirmou, reforçando que “é muito importante que todos os franceses vão
votar”.Já interrogado se acha que o
projeto da União Nacional poderia pôr em causa as relações bilaterais
entre a França e Portugal, Attal respondeu: “Em todo o caso, nós sabemos
que temos um projeto que é profundamente europeu, que luta por uma
Europa forte, porque isso também é do interesse dos franceses”.“Do
outro lado, temos uma União Nacional que, segundo o que vemos, propõe
uma saída progressiva da Europa”, referiu, acusando o partido de querer
“parar de pagar a contribuição francesa para o orçamento europeu” e
“deixar de respeitar as regras europeias”.“Isso, claro, teria um impacto muito forte nas nossas relações com os outros países europeus”, avisou. A
União Nacional defende, no seu programa, que os franceses que detenham
uma dupla nacionalidade não possam aceder a certos empregos da função
pública. Segundo o partido, seriam “muitos poucos casos”, reservados a
setores “extremamente sensíveis” do Estado, como a diplomacia, a
segurança ou a defesa.Nesta ação de
campanha no mercado de Convention, no 15.º bairro de Paris, Gabriel
Attal cruzou-se com Lúcia Fernandes, cidadã portuguesa que veio para
França em 1971, e que lhe pediu para não deixar mais nenhum partido ir
para o Governo.“Suplico-lhe. Eu acabei de
pedir a nacionalidade há um ano, empurram-me de um lado para o outro. É
um horror, não aceitam os meus países… E agora acho que só vai piorar”,
disse.À Lusa, Lúcia Fernandes explicou que
nunca pediu a nacionalidade francesa até agora porque sentia-se “à
vontade em França” e nunca achou que fizesse diferença.“Mas
ultimamente comecei a ver as coisas a complicar e quis pedir”, disse,
manifestando-se “muito preocupada” com o projeto da União Nacional por
considerar que pode “pôr em perigo” não só os portugueses, como “toda a
Europa”.O partido de extrema-direita União
Nacional (RN, do original francês Rassemblement National) obteve no
domingo 33% dos votos, contra cerca de 28% da frente popular de esquerda
e de 21% do campo do Presidente Emmanuel Macron.A segunda volta das eleições legislativas francesas realiza-se no próximo domingo, dia 07.