Plataforma marítima já transportou 160 bovinos das Flores
21 de out. de 2019, 17:42
— Lusa/AO online
"Já saíram das Flores 45
animais de uma primeira viagem e ontem mais 115. Mas ainda existem
muitos animais para retirar nas Flores e no Corvo e aquilo que foi
entendido face aos condicionantes do próprio porto e dos transportes
disponíveis neste momento, e para fazer menos pressão ao nível dos
alimentos disponíveis, foi retirar estes animais no menor espaço de
tempo possível", afirmou aos jornalistas o secretário regional da
Agricultura e Florestas, João Ponte, à margem da assinatura de um
protocolo, na Lagoa, em São Miguel, entre associações açorianas que visa
apoiar a atividade agrícola em Cabo Verde.O
membro do Governo açoriano avançou que na próxima semana chegarão à
região contentores provenientes de Lisboa de modo a contornar o maior
entrave à operação."Neste momento, o único
obstáculo que existe é reunirmos nos Açores a quantidade de contentores
suficientes para trazer esses animais", destacou, assinalando que "na
próxima semana" os contentores serão transportados de Lisboa para a
região e depois será feito o transporte para "resolver a situação e
tranquilizar os agricultores que naturalmente estão ansiosos com essa
situação".A plataforma utiliza uma grua
que permite o transporte dos contentores, sendo a deslocação no mar
efetuada através de um reboque. Os animais
em causa, frisou o secretário regional, "são os animais que normalmente
saem em vida das Flores e Corvo", tendo em conta a "grande tradição"
que estas ilhas têm na exportação de gado vivo, sobretudo para o mercado
continental português. No passado sábado,
o Governo dos Açores anunciou, através de nota de imprensa, que iria
fretar uma plataforma marítima com reboque como uma "medida
extraordinária" que visa "assegurar o escoamento de cerca de 1.000
animais até ao final do ano" e "reduzir a pressão sobre os alimentos
disponíveis atualmente nestas ilhas, cujas pastagens foram fortemente
afetadas pela salinidade, em virtude da passagem do furacão Lorenzo
pelos Açores no início de outubro".Na nota
lia-se ainda que a mesma plataforma "vai também garantir, na viagem
para as Flores, o transporte de alimentos para os animais, como rações,
concentrados e palhas, assim como adubos e outros bens de natureza
agrícola".Durante a passagem do "Lorenzo"
pelos Açores, em 02 de outubro, foram registadas 255 ocorrências e 53
pessoas tiveram de ser realojadas.A
passagem do furacão causou a destruição total do porto das Lajes das
Flores, o que colocou em risco o abastecimento ao grupo ocidental do
arquipélago. Depois de assegurado o
abastecimento através de embarcações de tráfego local (mais pequenas), a
Portos dos Açores (empresa que gere as infraestruturas portuárias da
região), anunciou no passado sábado que "já estão em curso os trabalhos
de preparação do projeto de reconstrução" do porto das Lajes das
Flores".No total, o "Lorenzo" provocou prejuízos de cerca de 330 milhões de euros, segundo o Governo Regional.