Plano Regional de Saúde focado no combate ao tabagismo e à obesidade infantil
5 de abr. de 2024, 14:44
— Lusa
“A luta contra o tabagismo é neste
momento uma grande prioridade. É uma luta que tem sido feita, embora
ainda não tenhamos alcançado os resultados pretendidos”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, a secretária regional da Saúde e Segurança
Social, Mónica Seidi.O Plano Regional de
Saúde 2021-2030, que estará agora em consulta pública, contempla 11
planos específicos para diferentes áreas, dos quais se destacam a
prevenção e combate ao tabagismo, a promoção da alimentação saudável e a
promoção da literacia em saúde.“Os
grandes desígnios são estes: a redução da mortalidade prematura, abaixo
dos 70 anos, a melhoria da esperança de vida saudável e, relacionado com
isto, obviamente, temos de reduzir os fatores de risco relacionados com
as doenças não transmissíveis: [reduzir] o consumo de tabaco, álcool e
outras drogas, mudar estilos de vida e definir como prioridade o combate
à obesidade infantil”, afirmou o coordenador do plano João Sarmento.Metade
das causas de mortalidade nos Açores está associada à doença
cárdio-cérebro-vascular e à doença oncológica, que têm como principais
fatores de risco o consumo de tabaco e os comportamentos alimentares.Os
Açores apresentam a maior percentagem de obesidade infantil do país e
são a região com maior consumo de tabaco, que abrange cerca de um quarto
da população.A estratégia regional de
prevenção e combate ao tabagismo tem, por isso, como metas a redução da
percentagem de fumadores ativos com mais de 15 anos para, pelo menos,
10%, a redução da quantidade de tabaco consumido em, pelo menos, 35% e o
aumento em 25% da proporção de fumadores que teve, pelo menos, uma
consulta.Na estratégia de promoção da
alimentação saudável, o objetivo é aumentar os utentes com Índice de
Massa Corporal (IMC) normal e aumentar em, pelo menos, 25% a percentagem
de crianças com aleitamento exclusivo até aos seis meses.“A
taxa de aleitamento materno exclusivo nos Açores é das mais baixas do
país e o aleitamento materno é altamente protetor da obesidade
infantil”, justificou João Sarmento.Outro
dos objetivos do plano é a promoção da literacia em saúde e para tal é
proposto que seja feito um “diagnóstico da situação mais aprofundado”,
para identificar as “competências concretas da literacia em saúde mais
deficitárias” e implementar ações e estratégias concretas.O
documento define ainda metas em outras oito áreas de intervenção: saúde
escolar, combate às doenças oncológicas, saúde mental, redução de
comportamentos aditivos, promoção de integração de cuidados, mortalidade
infantil, prevenção e controlo de doenças não transmissíveis e promoção
do envelhecimento ativo e saudável.Entre
as medidas previstas estão, por exemplo, o aumento em 35% dos alunos que
consomem frutas e vegetais diariamente, o aumento das taxas de adesão
aos rastreios oncológicos, a redução da taxa de suicídio para valores
idênticos à média nacional ou a redução do consumo de álcool e drogas
entre os jovens.Está também prevista a
redução de internamentos evitáveis, a redução sustentada da taxa de
mortalidade infantil, o aumento da avaliação dos planos assistenciais
integrados de diabetes e doença cardiovascular e o aumento das
avaliações de atividade física e risco nutricional na população mais
envelhecida.A secretária regional da Saúde
admitiu que as metas são ambiciosas e exigem um “trabalho muito
profícuo e dedicado”, mas mostrou-se confiante numa boa taxa de execução
do plano.“Se no plano anterior, das 43
metas, foram atingidas apenas 30%, nós queremos obviamente que em 2030 a
nossa realidade seja diferente”, frisou.O Plano Regional de Saúde terá uma plataforma de acompanhamento e estão previstas duas avaliações intercalares, em 2026 e 2028.