Plano estratégico do porto de Leixões prevê marina do lado da praia de Matosinhos
6 de mar. de 2026, 17:24
— Lusa/AO Online
Segundo
o cenário escolhido do Plano Estratégico 2025–2035, com a construção do
novo terminal de contentores norte, atualmente em fase de análise
ambiental, este implica "a eliminação da marina de Leixões (sendo criado
um novo porto de recreio no lado exterior do molhe Sul e/ou outras
soluções de reforço no rio Douro)"."Com o
prolongamento do molhe Norte, em curso, poder-se-á criar um apoio à
náutica de recreio (porto de recreio) e aos desportos náuticos (clubes)
no extradorso do molhe Sul, viabilizando no total uma capacidade de
cerca de 400 lugares para embarcações de recreio, consolidando a
possibilidade de este molhe vir a constituir um polo de atratividade
associado ao turismo", pode ler-se no documento.Os
gráficos disponibilizados no documento comprovam a adição da marina do
lado da praia de Matosinhos, juntando-se à "área ainda não
infraestruturada, adjacente ao terminal de cruzeiros Sul, destinada à
implantação de um porto de recreio para 170 embarcações".Atualmente,
o porto de Leixões dispõe de uma doca de recreio "localizada no
enraizamento do quebra-mar Norte do Porto de Leixões, com capacidade de
amarração para cerca de 250 embarcações".Na
apresentação do plano, no final de janeiro, o presidente da
Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL),
João Pedro Neves, defendeu que a atual marina "não está bem situada"."A
Marina de Leixões tem beneficiado de uma barra fantástica que é a Barra
de Leixões, que permite um acesso franco para qualquer marinheiro menos
experiente poder entrar, mas, de facto, não está bem situada",
assinalou. Já quanto às escolas de vela, o
responsável especificou que as crianças que as frequentam cruzam-se com
os navios, os rebocadores, as lanchas de pilotos e as traineiras da
pesca e "não é assim que as coisas devem ser feitas". "Portanto,
nós aproveitamos este plano para corrigir isto, não é porque foi sempre
assim que tem que ficar assim, se nós estamos cá e podemos melhorar nós
temos a obrigação de melhorar", ressalvou. João Neves sublinhou que o objetivo é "pôr a carne toda no assador" e obter o espaço máximo que o porto permite dar. "São
mais 20 hectares do lado norte e são mais 10 hectares do lado sul,
portanto, nós vamos, de facto, tirar partido do porto sem entrar muito
no espaço da cidade e sair ainda para o mar", assinalou.Os
documentos submetidos a consulta pública relativos à ampliação do molhe
norte do porto de Leixões indicavam que "a ampliação do terrapleno terá
uma sobreposição total com a Marina Porto Atlântico e os postos B e C
do terminal petrolífero do porto de Leixões, desativando-os".Segundo
o estudo, tornado público em dezembro, a "relocalização da marina"
estava a "ser estudada, prevendo a APDL que a mesma ocupe a bacia junto
ao terminal de cruzeiros, onde já existem infraestruturas náuticas".Estava
também em curso "um estudo de náutica de recreio para avaliar a
necessidade de complementar esta área com outra na proximidade do porto
de Leixões, nomeadamente na margem direita do rio Douro, na zona do Cais
do Ouro", e, "se necessário, a marina da Afurada poderá acolher algumas
embarcações".Porém, ainda não tinha sido mencionada a estrutura no extradorso do molhe sul.Em
setembro, a APDL já tinha dito que estava a "desenvolver um estudo para
a oferta de mais lugares de atracação numa nova localização no porto de
Leixões", pelo que "se poderá inferir que a resposta à náutica de
recreio será valorizada e aumentada".Em
agosto, fonte oficial da APDL tinha dito à Lusa que a marina seria
relocalizada para junto do terminal de cruzeiros, "onde já existem
infraestruturas projetadas há 10 anos para o efeito".