Plano do Brasil prevê produção de 12% dos minerais críticos do mundo até 2050
Hoje 15:30
— Lusa/AO Online
Elaborado
pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o plano define as diretrizes
da política mineral para os próximos 25 anos e pretende integrar a
mineração às políticas industrial, energética, tecnológica, climática e
de segurança alimentar do país.Uma das
principais metas prevê reduzir a dependência brasileira de fósforo e
potássio dos atuais 87,3% para 34,9% até 2050, fortalecendo a produção
nacional de insumos essenciais para fertilizantes. Insumo é todo e
qualquer recurso (matéria-prima, energia, mão de obra, tecnologia ou
capital) utilizado no processo produtivo de um bem ou na prestação de um
serviço.Atualmente, o Brasil importa
quase nove de cada dez toneladas de fósforo e potássio consumidas pela
agricultura, situação que o governo brasileiro pretende reverter com
novos investimentos em pesquisa mineral e expansão da produção.O
plano prevê acelerar projetos de mineração e integrar essa estratégia
ao Plano Nacional de Fertilizantes para ampliar a oferta doméstica
desses insumos considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro.Outro
eixo da estratégia do PNM 2050 concentra-se nos minerais críticos e
estratégicos, como terras raras, lítio, níquel, cobre, grafite e
cobalto, fundamentais para baterias, veículos elétricos, equipamentos de
energia, tecnologias digitais e defesa.O
governo pretende elevar a participação brasileira nesse mercado global
de 8,3% para 12,2% até 2050, combinando aumento da produção com maior
processamento industrial realizado no território nacional.A
estratégia busca reduzir a exportação de minério bruto e ampliar a
agregação de valor no país, elevando a participação da transformação
mineral no Produto Interno Bruto (PIB) do setor de 51,5% para 65%.O
plano também projeta aumentar a participação da mineração na economia
brasileira de 3,3% para 4,5% até 2050, ampliando a contribuição de um
setor que emprega aproximadamente dois milhões de pessoas, segundo o
Ministério de Minas e Energia.Durante o
lançamento, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou
que o plano pretende transformar a riqueza mineral brasileira em
desenvolvimento económico, tecnológico e social."O
Brasil tem algumas das maiores reservas minerais do mundo, e o PNM 2050
mostra o caminho para que nossa riqueza sirva à modernização da
economia nacional, transformando esse potencial em desenvolvimento,
tecnologia, emprego e renda para o nosso povo.""O Plano ainda reafirma nossa soberania num cenário internacional cada vez mais competitivo", acrescentou Silveira.Segundo
o ministério, o plano está estruturado em quatro pilares e cinco
objetivos estratégicos voltados para sustentabilidade, agregação de
valor, governança, ampliação do conhecimento geológico e segurança do
suprimento mineral.O governo afirma que
pretende deixar de tratar a mineração apenas como atividade extrativa e
vinculá-la às políticas de industrialização, inovação, segurança
energética e soberania nacional, seguindo movimento observado em grandes
economias.