Plano de Trump “não é perfeito”, mas líderes palestinianos devem dialogar -
29 de jan. de 2020, 15:50
— Lusa/AO Online
"Nenhum
plano é perfeito, mas este tem o mérito de propor uma solução com dois
Estados e asseguraria que Jerusalém seria a capital tanto de Israel como
do povo palestiniano", afirmou na Câmara dos Comuns, durante o
debate semanal com os deputados. Boris
Johnson respondia ao líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, que
alegou que o plano "não é de paz" porque "anexar território
palestiniano, permite a colonização ilegal por Israel, transforma
cidadãos palestinianos em cidadãos israelitas e retira direitos
fundamentais aos palestinianos". O
primeiro-ministro desafiou Corbyn, um ativista dos direitos dos
palestinianos, a "falar com amigos na Autoridade Palestiniana para
conversar sobre esta iniciativa e dialogar, em vez de deixar um vácuo
político". Divulgado na terça-feira por
Trump ao lado do primeiro-ministro israelita em funções, Benjamin
Netanyahu, o plano prevê a anexação de partes da Cisjordânia ocupada e
suscitou a aprovação de numerosos israelitas e a cólera dos
palestinianos.Entre os numerosos pontos
sensíveis do plano está a anexação por Israel dos colonatos que criou na
Cisjordânia ocupada desde 1967, em particular no vale do Jordão, que
deve tornar-se a fronteira oriental de Israel.O
plano exige um congelamento de construção de novos colonatos
israelitas, durante quatro anos, para permitir à Palestina consolidar o
seu Estado, enquanto decorrem negociações para estabilizar a situação.O
Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Habbas, considerou o
plano de paz para o Médio Oriente de Donald Trump como "absurdo" e o
movimento Hezbollah considerou-o uma "tentativa de eliminar os direitos
do povo palestiniano".Num comunicado
publicado na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros
britânico, Dominic Raab, considerou o plano "uma proposta séria, que
reflete grande um esforço e tempo". Porém,
disse que só os líderes de Israel e dos palestinianos podem avaliar as
propostas e negociar para que seja possível uma coexistência pacífica e
criar oportunidades "Nós incentivamo-los a
considerar este plano de forma genuína e justa e a explorar se pode ser
o primeiro passo no caminho de volta às negociações", afirmou.