Plano de reestruturação "está a ser executado com sucesso"
TAP
16 de ago. de 2022, 11:02
— Lusa/AO Online
Várias
centenas de trabalhadores da TAP, entre pilotos, tripulantes de cabine e
técnicos de manutenção, manifestaram-se hoje, em Lisboa, numa marcha
silenciosa até ao Ministério das Infraestruturas, pela melhoria da
qualidade do serviço e sustentabilidade da empresa.Em
comunicado, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação salienta
que "tem acompanhado de perto as reivindicações e os apelos expressos
pelos trabalhadores da TAP ao longo dos últimos meses e compreende o
momento difícil por que passam todos aqueles que, todos os dias,
permitem à companhia operar".No entanto,
acrescenta, "é preciso não esquecer que a companhia aérea atravessa
ainda aquele que é o momento mais desafiante da sua história", uma vez
que a TAP "vive as consequências do ano dramático de 2020, quando o
encerramento da empresa foi apenas travado pela injeção de fundos
públicos, por parte do Estado português, num valor que vai atingir os
3,2 mil milhões de euros".Esta injeção de
fundos públicos "só foi autorizada pela Comissão Europeia por estar
sujeita a um plano de reestruturação exigente, que terminará apenas em
2025", recorda o ministério tutelado por Pedro Nuno Santos, salientando
que o plano "– que foi aprovado há menos de oito meses - só foi
autorizado porque contou com um substancial contributo por parte dos
trabalhadores, traduzido na redução do número de efetivos na empresa (um
processo já encerrado) e na redução dos salários dos trabalhadores que
permaneceram na TAP".O ministério aponta
que "o processo de redução de custos laborais na empresa resultou de
acordos assinados com 14 organizações representativas dos trabalhadores,
que demonstraram enorme sentido de responsabilidade e de compromisso
com a recuperação da empresa".Ora, "num
momento em que o plano de reestruturação está a ser executado com
sucesso - mesmo num contexto internacional muito exigente, do ponto de
vista económico e operacional, o Ministério das Infraestruturas e da
Habitação conta com o mesmo sentido de responsabilidade e de compromisso
por parte dos trabalhadores para transformar a TAP numa empresa
rentável e sustentável no futuro", remata.Anteriormente,
a Comissão Executiva da TAP tinha repudiado "a constante tentativa de
ataques à sua credibilidade e competência", no mesmo dia em que decorre
uma 'marcha silenciosa'.Na sexta-feira, as
direções do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil
(SNPVAC), Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e do Sindicato
dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA) anunciaram o protesto,
que junta "pela primeira vez na história da aviação nacional, pilotos,
pessoal de cabine e técnicos de manutenção". A
Comissão Executiva da TAP sublinhou que "está, desde sempre,
disponível, para o diálogo com todos os sindicatos e nas múltiplas
reuniões que tem mantido com os responsáveis sindicais" e "presta toda a
informação que é solicitada e procura, de boa fé, esclarecer todas as
questões e dúvidas que são suscitadas", mas "não dialoga com os
sindicatos através de comunicados de imprensa ou de declarações públicas
que possam gerar títulos de notícias". A
gestão da TAP diz ainda que "mantém sempre as portas abertas para o
diálogo sério e construtivo, de uma forma que contribua para uma
melhoria efetiva das condições de trabalho de todos os trabalhadores".A
gestão de qualquer empresa "é avaliada não por comunicados de imprensa
sindicais, mas pelos resultados de gestão que apresenta, sendo esses
resultados, ao contrário das afirmações produzidas por alguns
sindicatos, auditados, verificados e validados pela tutela política e
pelos diversos 'stakeholders'" da TAP, sublinhou a Comissão Executiva,
referindo que os resultados do segundo trimestre e do primeiro semestre
serão divulgados em 23 de agosto."São
esses resultados que permitem a avaliação do seu desempenho e do
trabalho que está a ser desenvolvido na TAP, não só pela gestão, mas por
todos os trabalhadores", conclui a Comissão executiva.