Plano de Gestão da Região Hidrográfica com menos de metade da verba executada
Hoje 17:04
— Nuno Martins Neves
Da responsabilidade da Secretaria
Regional do Ambiente e Ação Climática (SRAAC), o plano plurianual de
seis anos tem um investimento estimado de 72,6 milhões de euros, e, no
final de 2025, apenas tinham sido executados 33,2 milhões de euros (dos
quais, 18,7 milhões de euros foram comparticipados pela União Europeia).Um
dado que, no entanto, até pode nem corresponder inteiramente à verdade,
visto que a informação relativamente a mais de um terço das medidas
(36,6%) encontra-se indisponível, revela o documento.No entanto,
dois terços da verba executada ocorreu logo nos dois primeiros anos do
plano (21,7 milhões de euros), com os montantes a baixarem drasticamente
em 2024 (7,9 milhões de euros) e 2025 (3,5 milhões de euros).A
resposta do Governo Regional assinala, igualmente, que a SRAAC é apenas
responsável por 11% do montante global do PGRHA, o correspondente a
10,8% dos 72,6 milhões; com a principal fatia a caber às entidades
gestoras dos serviços urbanos de água e saneamento de águas residuais
(56,8%, 41,2 milhões de euros) e ao IROA(24,8%, 18 milhões de euros).Como
justificação para faltar executar mais de metade da verba a dois anos
da conclusão do plano, o Governo Regional justifica que o ritmo de
execução decorre “de fatores estruturais inerentes à natureza das
medidas, designadamente: a morosidade e complexidade dos procedimentos
de contratação pública; o facto de uma parte substancial do investimento
se concentrar em medidas infraestruturais plurianuais de abastecimento
de água e de saneamento, cuja maturação financeira não é linear ao longo
do tempo; e, como já referido, a indisponibilidade de reporte por parte
de várias entidades, que subavalia o investimento efetivamente
realizado e não comunicado”.No final do ano passado, as medidas que
se mantinham como não executadas prendiam-se com avaliação de custos
ambientais e de escassez; incremento do conhecimento das massas de água
subterrâneas; disponibilização online de indicadores ambientais;
capacitação da fiscalização sobre águas residuais; e atualização de
valores limite de descarga não urbana.“A estes acrescem as medidas
cujo estado não foi possível apurar por ausência de resposta das
respetivas entidades responsáveis”, assinala o documento.