Plano de Ação de Combate à Pobreza dos Açores tem 60% das medidas em curso
10 de out. de 2018, 14:49
— Lusa/AO Online
“Uma
das primeiras conclusões é que nesta fase temos 60% das medidas
previstas no plano bianual em curso, o que já é um nível em nosso
entender satisfatório”, adiantou, em declarações aos jornalistas, a
secretária regional da Solidariedade Social, Andreia Cardoso.A
governante falava, em Angra do Heroísmo, à margem de uma reunião entre o
Conselho Estratégico e a Comissão Científica da Estratégia Regional de
Combate à Pobreza e Exclusão Social, que fez um balanço da implementação
do plano bianual. Segundo
Andreia Cardoso, entre as medidas já implementadas neste plano, que dá
prioridade a crianças e jovens, destacam-se, por exemplo, o alargamento
da saúde escolar aos centros de desenvolvimento de inclusão juvenil e um
projeto de intervenção comunitária para a melhoria do sucesso escolar,
que foi implementado no ano letivo anterior no concelho da Lagoa e foi
estendido este ano aos concelhos do Nordeste e da Povoação, em São
Miguel. Para a
governante, apesar de a taxa de implementação de medidas atingir os
60%, há aspetos a melhorar, como o reforço da divulgação do plano junto
da população em geral e a mobilização de todos os parceiros na
implementação das medidas.Nesse
sentido, o Governo Regional já iniciou um conjunto de reuniões de
divulgação do plano e quer chegar a todas as ilhas “até ao final do
próximo mês”.Segundo
Carlos Farinha Rodrigues, membro da comissão científica, a Estratégia
de Combate à Pobreza e Exclusão Social dos Açores é “fundamental” e a
região pode mesmo “constituir um exemplo para aquilo que seria
necessário fazer a nível nacional” no âmbito da redução da pobreza,
através de uma solução pensada de forma integrada.“Os
Açores têm experiências muito positivas de combate à pobreza, o que
temos é de capitalizar esse conhecimento para conseguirmos – eu não
direi eliminar a pobreza para já – mas pelo menos que os Açores não
sejam a região do país com maior pobreza em Portugal”, frisou.O
professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG),
especialista em pobreza e desigualdade, considerou que os Açores fizeram
um esforço “gigantesco” na identificação de problemas, mas “há muito
ainda por fazer”.“É
uma estratégia de médio e longo prazo. Não podemos correr o risco de
pensar que vamos obter resultados para o próximo ano”, apontou.O papel da comissão científica, segundo Carlos Farinha Rodrigues, é de aconselhamento, acompanhamento e troca de experiências. “Tentamos
que não se esteja sempre a recomeçar do zero. Há uma experiência
acumulada que é necessário capitalizar e aprofundar. Um dos problemas
que nós temos em Portugal é que, ou porque muda o governo ou porque
mudam as pessoas, tem de se recomeçar tudo do zero”, apontou.Para
o economista, “é necessário fazer com que a população dos Açores
perceba que a pobreza é um problema de todos”, porque ou é assumido
coletivamente ou “não se consegue de facto resolver”.Por
outro lado, defendeu que é preciso que o governo e a sociedade civil
trabalhem “em conjunto” e que passe a existir uma “visão integrada” do
problema, em vez de “medidas avulsas”.“O que se pretende é a convergência de muitas medidas parcelares, de forma a ter um objetivo claro e definido”, frisou.