PJ, Interpol e Europol discutem técnicas de combate a crimes sexuais contra crianças na Internet
23 de jan. de 2020, 16:41
— Lusa/AO Online
Tratou-se de uma jornada de
reflexão de magistrados, polícias e outros investigadores sobre um caso
de "sucesso" da Polícia Judiciária (PJ) - o chamado "caso Twinkle" - que
levou em 2017 à localização de um homem que, a partir de Águeda, montou
uma rede de pedofilia internacional, que abusou e filmou crianças em
atos sexuais, a maioria deles seus familiares.O
homem, que já foi julgado e condenado em Portugal a pena de prisão de
longa duração, abusou das crianças entre 2013 e 2017, tendo sido detido
pela PJ, após intensa colaboração com a polícia de outros países
empenhadas em deslindar, identificar e deter os autores destas redes de
exploração e abuso sexual de crianças que proliferam com o advento da
Internet e do surgimento das "dark nets", que permitem a encriptação e o
anonimato dos utilizadores.Coube a Pedro
Vicente, coordenador na Secção Central de Investigação da
Cibercriminalidade contra as Pessoas, a apresentação do "caso Twintle" -
e falar sobre a forma como a cooperação policial internacional foi
fundamental para a descoberta deste abusador sexual que se escondia em
Águeda e que mantinha contactos com outros predadores sexuais em
diversos ponto do mundo, como o Brasil. O
mesmo responsável da PJ chamou ainda a atenção para o papel de relevo
então desempenhado pelo Laboratório de Polícia Cientifica da PJ na
investigação deste caso em que "as vítimas tinham uma relação de
proximidade" com o abusador sexual.Pedro
Vicente abordou ainda a importância de existir especialização e
capacitação nesta área por parte dos investigadores, congratulando-se
com o facto de no último movimento de magistrados do Ministério Público
terem sido destacados mais magistrados para a "emergência do fenómeno"
em análise: o abuso sexual contra crianças.Cathal
Delaney, da Europol, interveio para falar sobre a investigação e
tendências da cibercriminalidade contra as crianças, realçando a
necessidade de proteger a identidade das crianças abusadas e para a
necessidade de todos os pais e a sociedade e comunidade em geral ajudar
as respetivas polícias a combater este crime que se propaga e se realiza
através da Internet.Delaney disse ser
preciso inovar e encontrar novos procedimentos de prevenir e combater
este tipo de crime, que anualmente motiva milhares de denúncias às
polícias.No final da conferência,
realizada na sede da PJ, em Lisboa, o diretor nacional da PJ, Luís
Neves, e na presença do diretor nacional adjunto Carlos Farinha, assinou
um protocolo com a Associação de Apoio à Vítima (APAV), Instituto
Politécnico de Beja e Centro de Formação da Indústria Eletrónica para
formalizar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido também nesta área
para a proteção das pessoas e crianças vítimas de abusos sexuais.