PJ diz que alegado grupo criminoso terá auxiliado milhares de imigrantes ilegais
7 de mai. de 2025, 12:22
— Lusa/AO Online
“Estamos
a falar de milhares de pessoas. Não temos dúvidas de que muitas delas,
com maior ou menor esforço, conseguiriam regularizar a sua situação,
noutras vai ter de ser tudo revisto, certamente”, destacou Avelino Lima.De
acordo com o diretor da PJ do Centro, os milhares de imigrantes serão
provenientes “de um país lusófono na América do Sul e do Hindustão".A
PJ anunciou que desmantelou um alegado grupo criminoso organizado,
que se dedicava à prática reiterada de crimes de auxílio à imigração
ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de
documentos.Ao todo, foram detidas 13
pessoas, sete homens e seis mulheres, entre os quais sete empresários,
uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e
das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.Os
detidos - sete cidadãos nacionais e seis estrangeiros - têm idades
compreendidas entre os 26 e os 64 anos e não têm antecedentes criminais
conhecidos.Em conferência de imprensa, Avelino Lima explicou que
os imigrantes eram angariados pelo grupo em redes sociais, sendo-lhes
dado a conhecer “possibilidades e facilidades”, mediante o pagamento de
“um valor significativo”.“Depois, havia
uma estrutura que fazia todo o trabalho para permitir que esses
imigrantes, chegados cá, se pudessem legalizar. Muitos deles nunca
chegaram sequer a estar em território nacional, mas tinham documentação
de título de residência, com repercussões ao nível fiscal e de segurança
social, sendo esta uma realidade preocupante e que tem ganho dimensão
cada vez mais grave”, indicou.Aos
jornalistas, evidenciou que este grupo organizado e com “tarefas bem
claras” terá começado a atuar no início de 2022, tendo sido criadas
empresas de consultadoria para este fim.Entre
os serviços pelos quais os imigrantes pagavam figuravam a obtenção de
contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal (NIF), Número de
Identificação de Segurança Social (NISS), Número de Utente do SNS
(Serviço Nacional de Saúde), tradução e certificação de registos
criminais, abertura de contas bancárias, atestados de residência, entre
outros.“Tínhamos uma toupeira,
infelizmente, nesse Ministério [dos Negócios Estrangeiros] e nesse
serviço, que cessou com a sua atividade ontem [terça-feira]. Tinha um
papel fundamental, porque acabava por dar veracidade a facto falso”,
referiu ainda.No âmbito desta operação da
Diretoria do Centro, que intitularam de “Gambérria”, foram realizadas 40
buscas domiciliárias e não domiciliárias em Coimbra, Espinho, Carregal
do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa.Foi
apreendido “um enorme” acervo de documentação utilizada em processos de
legalização irregular de estrangeiros, equipamentos informáticos, 11
veículos automóveis, alguns dos quais de alta cilindrada, cerca de um
milhão de euros em numerário e duas presas de elefante em marfim com
cerca de 50 quilos.Foram ainda aprendidos
diversos artigos adquiridos com os proveitos do crime e artigos
utilizados nas falsificações de documentos, entre os quais um selo
branco encontrado numa empresa onde seriam “validados” milhares de
certificados de registo criminal de cidadãos estrangeiros.Já
o Gabinete de Recuperação de Ativos - Centro, procedeu ao arresto de
seis imóveis, dois prédios rústicos e quatro urbanos (uma vivenda e três
apartamentos) e congelou 35 contas bancárias, dois produtos financeiros
da empresa de jogos Betano e uma conta de criptoativos da Binance.A investigação irá continuar e é “muito possível haver mais detenções”.