PJ detém mais um elemento do alegado grupo criminoso que se dedicava ao auxílio à imigração ilegal
2 de out. de 2025, 16:13
— Lusa/AO Online
De acordo com um comunicado da PJ, a detenção
do homem de 37 anos, sem antecedentes criminais conhecidos em Portugal,
ocorreu na quarta-feira e foi realizada pela Diretoria do Centro.“Foram
cumpridos três mandados de busca, sendo que no decurso dos mesmos
resultou a apreensão, entre outros, de um enorme acervo de documentação
utilizada em processos de legalização irregular de estrangeiros, um
veículo automóvel, uma pistola calibre 7,65 mm, munições, dois pares de
algemas, coletes táticos e um detetor de metais”.Foram
ainda apreendidos sofisticados equipamentos eletrónicos para
copiar/captar códigos de segurança para abertura remota, clonar cartões,
um inibidor de sinais de comunicações “jammer”, um binóculo de visão
noturna, um minigravador laser (que pode ser usado em falsificações),
peças em metal que estavam a ser trabalhadas para conceção do que
aparenta ser uma pistola metralhadora, dinheiro em numerário e
equipamentos informáticos.Em maio, a PJ
deteve 13 pessoas, sete homens e seis mulheres, entre os quais sete
empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos
Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, com idades compreendidas entre os 26 e os 64 anos
e sem antecedentes criminais conhecidos.Na
operação da Diretoria do Centro, que intitularam de “Gambérria”, foram
realizadas 40 buscas domiciliárias e não domiciliárias em Coimbra,
Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa.Na
altura, o diretor da Polícia Judiciária (PJ) do Centro, Avelino Lima,
indicou que o alegado grupo criminoso organizado terá auxiliado milhares
de imigrantes ilegais, com a ajuda de “uma toupeira” no Ministério dos
Negócios Estrangeiros.Os milhares de
imigrantes, provenientes “de um país lusófono na América do Sul e do
Hindustão”, eram angariados pelo grupo em redes sociais e outros,
sendo-lhes dado a conhecer “possibilidades e facilidades”, mediante o
pagamento de “um valor significativo”.“Depois,
do lado de cá, havia uma estrutura que fazia todo o trabalho para
permitir que esses imigrantes, chegados cá, se pudessem legalizar.
Muitos deles nunca chegaram sequer a estar em território nacional, mas
tinham documentação de título de residência, com repercussões ao nível
fiscal e de segurança social, sendo esta uma realidade preocupante e que
tem ganho dimensão cada vez mais grave”, explicou Avelino Lima.O
grupo organizado e com “tarefas bem claras” terá começado a atuar no
início de 2022, tendo sido criadas empresas de consultadoria para este
fim.Entre os serviços pelos quais os
imigrantes pagavam figuravam a obtenção de contratos de trabalho, Número
de Identificação Fiscal (NIF), Número de Identificação de Segurança
Social (NISS), Número de Utente do SNS (Serviço Nacional de Saúde),
tradução e certificação de registos criminais, abertura de contas
bancárias, atestados de residência, entre outros.