Pizarro considera muito difícil acordo entre partidos para a saúde
20 de dez. de 2023, 08:21
— Lusa/AO Online
“Há espaço numa
sociedade democrática salutar para as divergências de linhas de
orientação. Isso faz parte da democracia. Seria muito positivo que
houvesse, pelo menos, coerência na revisão das profissões. O maior
partido da oposição, o PSD, andou meses ou anos a reclamar que fossem
generalizadas e agilizadas as unidades locais de saúde [ULS], agora que,
a partir de janeiro o país todo vai ser organizado em unidades locais
de saúde reclama que essa medida seja adiada”, salientou. Na
semana passada, o PSD exigiu ao Governo que suspenda a entrada em vigor
das novas ULS, pedindo ao executivo que se focasse nos problemas das
urgências e não em “nomear ‘boys’” para estas estruturas.Os
sociais-democratas intimaram o Governo demissionário a suspender “de
imediato a entrada em vigor do Decreto-Lei que estabelece a criação das
ULS”, prevista para 01 de janeiro, evitando “o adensar de problemas a
uma situação já por si muito delicada”.“É
muito difícil, porque se exige com claridade que cada partido defina com
clareza ao que vem. O PS é o fundador do Serviço Nacional de Saúde
[SNS] e, do meu ponto de vista bem, nunca mudou de opinião da
importância deste serviço público”, referiu Pizarro depois de o novo
bastonário da Ordem os Enfermeiros (OE), Luís Filipe Barreira, ter
defendido hoje um acordo político para a saúde.Manuel
Pizarro considerou ainda inaceitável que haja pessoas sem acesso a
médico de família, esperando que possa haver estabilidade até ao final
de 2024. “Em janeiro, vamos generalizar as
unidades de saúde familiar [USF] de modelo B dos centros de saúde. A
nossa expectativa (…) é ter entre 200 e 250 USF de modelo B e com isso
cerca de 300 mil portugueses passem a ter médico de família. Não vai ser
possível resolver isto de um dia para o outro, apesar de estarmos a
assistir à entrada de novos médicos de família, estamos a assistir à
reforma de muitos médicos de família”, indicou. Sobre
os problemas nas urgências hospitalares, o governante garantiu que o
SNS “tem dado plena resposta à procura”, com as “dificuldades que são
infelizmente habituais no período de inverno”.“Temos
conseguido dar uma resposta cabal. Claro que tem custos adicionais para
as pessoas, para os médicos, para os enfermeiros, para os outros
profissionais de saúde que estão nos serviços de urgência. (…) Às vezes,
há um incómodo para os doentes que em vez de serem atendidos mais
próximos das suas casas acabam por percorrer uma maior distância. Nós
fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que as coisas funcionem”,
frisou.