Piscinas do Nordeste vendidas à ‘Casa Cheia’ por menos de 1 ME
16 de fev. de 2024, 09:25
— Paulo Faustino
A empresa Damião de Medeiros, Lda., dona da rede de lojas
Casa Cheia, adquiriu o Complexo Desportivo de Piscinas do Nordeste à
Caixa Geral de Depósitos (CGD) por menos de um milhão de euros,
colocando um ponto final num processo que se arrastava há 17 anos.Segundo
apurou o Açoriano Oriental, o imponente edifício na vila começou a ser
construído em 2007 depois de ter sido criada uma sociedade para o
efeito, a Gedernor SA, tendo como acionistas a empresa municipal
Nordeste Ativo, com 49%, e um grupo de privados, com 51%.O
investimento inicial de cerca de 7,5 milhões de euros (ME) incluiu uma
piscina de 25 metros destinada à competição, um tanque de aprendizagem,
sistemas de tratamento da água e aquecimento, balneários e valências
para a prática de ginástica de manutenção, com possibilidade de serviço
de restauração e instalação da biblioteca municipal.Apesar do
avultado investimento para um município que serve apenas cerca de 5 mil
habitantes, as piscinas cobertas do Nordeste nunca chegaram a funcionar
e, desde a sua construção, estão ao abandono e a degradar-se. Inclusive
com sinais de pilhagem de materiais, visíveis do exterior do edifício. O historialApós
um processo negocial falhado entre a empresa de construção Irmãos
Cavaco e a CGD, e com uma dívida de 9,6 milhões de euros, a Gedernor
acabou por ser declarada insolvente pelo Tribunal da Ribeira Grande em
2014.A Caixa Geral de Depósitos financiou o empreendimento, mas
nunca recebeu qualquer valor pelo empréstimo contraído, o qual atingia
em 2013 os 6,3 ME. Por essa circunstância, o imóvel nunca saiu da posse
do banco público.O complexo de piscinas municipais foi colocado à
venda em hasta pública, depois de em 2015 o tribunal ter aceite uma
proposta da administradora de insolvência nesse sentido. Mas não
apareceu quem o quisesse comprar. Tiveram de passar anos até que essa
aquisição fosse concretizada pela Damião de Medeiros, Lda., por menos de
um milhão de euros.O Açoriano Oriental sabe que a formalização da
escritura de compra do imóvel aconteceu recentemente, sendo possível que
o edifício se transforme na maior loja Casa Cheia do Nordeste ou,
então, num empreendimento turístico.Ontem, tentámos contactar o responsável da empresa para obter um esclarecimento sobre o assunto, mas em vão.