Pimenta não 'assina' dois pódios em três competições
Canoagem/Mundiais
20 de ago. de 2025, 16:26
— Lusa/AO Online
“Duas
medalhas em três provas? Não. Já respondi? O que querem que diga? O que
é que vou fazer? Ser mentiroso?”, reagiu, gracejando, o atleta que tem
cerca de 150 pódios internacionais por Portugal.Nos
Mundiais, que decorrem até domingo, Pimenta defende o título em K1
1.000 metros, a única distância olímpica, alcançado em 2023 na Alemanha,
em Duisburgo, onde foi ainda prata nos 5.000 metros e bronze nos 500. “Estamos
num novo ano e ciclo olímpico. Estou a desfrutar um bocadinho mais do
desporto e da canoagem e, felizmente, os resultados têm aparecido
naturalmente, com os quatro títulos de campeão da Europa que consegui
este ano”, sublinhou, referindo-se aos êxitos na pista e nas maratonas.Nos
europeus de pista, em junho, na República Checa, o limiano foi campeão
da Europa em K1 1.000 e 5.000 metros, enquanto nas maratonas, em Ponte
de Lima, ante os seus conterrâneos, levou o ouro na prova curta de K1 e
na longa de K2, juntamente com José Ramalho.“Acho
que é um marco e um feito inédito na canoagem mundial e no desporto em
geral, conquistar dois títulos europeus em maratona e passados 15 dias
dois na velocidade. Não me recordo de nenhum atleta do desporto mundial a
conseguir fazer isso”, congratulou-se.Para que os portugueses percebam o feito, ilustrou com outros desportistas da elite mundial, do atletismo e da natação.“O
(Usain) Bolt ganhou muitas vezes mundiais de velocidade, mas nunca o de
maratonas. O (Michael) Phelps venceu muitas provas de piscina, porém
nenhuma em natação águas abertas”, exemplificou.Sem
colocar a si próprio a pressão de medalhas, o canoísta de 36 anos
prometeu apenas o habitual, “dar o melhor” de si, confiando na receita
que o tem mantido na elite internacional há quase duas décadas.“O
segredo é muito trabalho, muito sacrifício, muita disciplina, muita
ambição e garra. Um toquezinho de humildade acho que também não fica
nada mal nestes ingredientes. E conseguir saber dar a volta às situações
e ir buscar energia a coisas positivas e não estar a pensar só nas
negativas”, exemplificou.Com voz embargada
pela emoção, fez questão de dizer que espera poder dedicar pódios “aos
bombeiros e a todos aqueles que estão em Portugal na linha da frente no
combate aos incêndios”.O seu treinador.
Hélio Lucas, e que agora é igualmente diretor técnico nacional da
federação, recordou que Pimenta está mais focado em “boas sensações” do
que na responsabilidade das medalhas, lembrando os pódios que já atingiu
este ano. “Como ele diz, o ideal é ir
fazendo prova a prova, ter boas sensações e depois irmos vendo. Ele não
promete medalhas, não penso que seja o objetivo. É procurar o seu melhor
desempenho. Sabemos que vai sempre lutar por elas, mas se vai
conquistar três, duas ou uma mais brilhante… “, desvalorizou. Quanto
ao facto de Portugal defender também o ouro mundial em K2 500, com João
Ribeiro e Messias Baptista, bem como fazer valer o estatuto de campeão
da Europa de K4 500, desta dupla juntamente com Gustavo Gonçalves e
Pedro Casinha, Hélio Lucas refere que êxitos passados “não dão créditos”
para os desafios presentes. “Durante as
regatas, não temos nenhuma vantagem por termos alcançado esses
resultados, que apenas nos dão pressão e responsabilidade”, vincou,
recordando que no K4 os pódios nos maiores eventos internacionais são
sempre muito voláteis. Os Mundiais de
canoagem de Milão reúnem 73 países e cerca de 800 canoístas, 14 dos
quais portugueses, incluindo dois na paracaoagem.