“O
objetivo principal para os Europeus é continuar a ganhar ritmo
competitivo. Faz parte da preparação para os Jogos Olímpicos. Já fizemos
isso nas edições anteriores dos Jogos, bem como nos anos passados, e as
coisas têm corrido bem. Em 2023, os Jogos Europeus foram a mês e meio
do Mundial e acabei por ser campeão do mundo”, ilustrou. Fernando
Pimenta vai participar em K1 500, 1.000 e 5.000 metros, provas nas
quais conquistou outras tantas medalhas de ouro na Taça do Mundo de
Poznan, Polónia, no fim de maio, embora sem contar com vários dos seus
principais rivais ao pódio em Paris2024.Enquanto
alguns dos rivais têm apostado numa estratégia mais específica para os
Jogos Olímpicos, prescindindo de ir às Taças do Mundo ou Europeus,
Pimenta continua a alimentar a sua motivação de triunfos e garante que
disputar três distâncias diferentes bate certo com o seu planeamento
para o êxito.“Os 5.000 metros até nos
ajudam no trabalho de resistência, obrigam-nos a grande esforço. Os 500
permitem trabalhar a parte da velocidade e os 1.000 é mais a
concentração para a distância que vamos fazer nos Jogos Olímpicos. As
três complementam-se. São vários dias de prova. Não é super-tranquilo,
mas é algo normal para nós”, disse, referindo-se à equipa com o seu
treinador de sempre, Hélio Lucas.Pimenta
revela confiança plena no “processo e trabalho” que tem vindo a fazer a
cada ano e manifesta-se “relaxado” quanto aos resultados em Szeged,
considerando mesmo que os seus maiores rivais é que estarão mais
pressionados para estarem em melhor forma nesta fase. “Provavelmente,
os húngaros vão apresentar-se mais em forma do que nós, pois o
Campeonato da Europa é em casa deles. Gostam de mostrar poderio ante o
seu público. Há mais pressão para eles. Neste Europeu, vou sem nenhuma.
Quanto ao resto dos adversários [olímpicos], não sei se vão ou não a
Szeged. Temos de nos focar só no que nos compete”, vincou.Acima
de tudo, Pimenta quer ter “boas sensações” na Hungria, “retirar bolas
ilações e conclusões” das provas para perceber se há algo a “alterar” na
estratégia para os Jogos Olímpicos. Enquanto
Pimenta não prescinde de participar em qualquer prova, “para ganhar
ritmo competitivo”, os campeões mundiais João Ribeiro e Messias
Baptista, em K2 500 metros, e Teresa Portela, em K1 500, têm
privilegiado preparação específica, sem medir forças com os grandes
rivais antes do grande momento do ciclo.Esse
facto ajudou a que a federação tenha apostado num K4 500 metros no qual
o mais experimente Kevin Santos alinhará com os sub-23 Pedro Casinha,
Gustavo Gonçalves e Iago Bebiano, que posteriormente se desdobrarão em
outras embarcações, num primeiro exigente teste internacional para a
longa caminhada rumo a Los Angeles2028.“Acho
que é muito importante para os mais novos começarem a entrar neste
ritmo dos seniores. É completamente diferente olharmos para o lado e
termos alguns ídolos de infância ou exemplos da modalidade. Quando damos
por ela, estamos na linha de partida ao lado deles… Temos de os
respeitar, mas também lhes queremos ganhar”, ilustrou.A
confirmar-se a luta pelas medalhas em Paris2024, Fernando Pimenta, que
já contabiliza 142 pódios internacionais, tem a final em 10 de agosto, a
três dias de completar 35 anos.O limiano
foi medalha de bronze em Tóquio2020 em K1 1.000, sendo o atual campeão
do mundo da distância, tendo ainda sido prata nos Jogos Londres2012, com
Emanuel Silva, em K2 1.000 metros.