Pilotos de helicóptero do INEM sabiam que pó podia impedir aterragem perto de pedreira
6 de set. de 2024, 16:09
— Lusa/AO Online
Os dados constam de uma nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de
Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF)
a que a agência Lusa teve acesso, sobre o acidente com o
aparelho do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) – com um
pilotos, um copiloto, médico e enfermeiro, que sofreram apenas
escoriações -, que embateu em várias árvores, quando tentava aterrar
numa zona de terra, próxima de uma pedreira para socorrer uma vítima.“Durante
o voo, os pilotos receberam atualização das coordenadas, inseriram os
dados no sistema de navegação e voaram direto para o local. Após
dificuldades iniciais na localização das equipas de apoio à vítima, o
helicóptero realizou várias voltas até os ocupantes terem identificado
um veículo de emergência na pedreira, identificando de seguida um
possível local para a aterragem”, conta o GPIAAF.A nota refere que, “após executarem procedimentos de aproximação e
reconhecendo a possibilidade de ser levantado pó na zona de aterragem, a
tripulação definiu um plano para abortar a aterragem em caso de falta
das necessárias referências visuais”.“Durante
a aproximação final, atendendo ao pó levantado por efeito do rotor
[principal], foi perdido o contacto visual com o terreno e decidida a
descontinuidade da aterragem, tendo o piloto aos comandos iniciado o
procedimento de aterragem falhada. Em sequência, a aeronave colidiu com
várias árvores de médio e grande porte, danificando o rotor principal e
inviabilizando a descolagem”, descreve o GPIAAF.De
acordo com a mesmo nota informativa, a aeronave, dada como “destruída” pelo GPIAAF, que
estava baseada no heliporto de Macedo de Cavaleiros, distrito de
Bragança, “imobilizou-se na base dos pinheiros sobre o seu lado direito,
mantendo a integridade da cabine com a zona direita do cockpit a ser
perfurada por um pinheiro de grande porte”.Os
quatro ocupantes “saíram pelos próprios meios com pequenas escoriações e
foram transportados a uma unidade hospitalar para avaliação médica”.Sobre
o historial do voo, o GPIAAF conta que o helicóptero, com dois pilotos,
um médico e um enfermeiro a bordo, descolou com destino a uma pedreira em Atei, no
concelho de Mondim de Basto (a cerca de 80 quilómetros) para transportar
uma vítima que tinha sofrido um acidente de trabalho na referida
pedreira.As equipas de socorro dos
bombeiros locais e da GNR localizados na pedreira prepararam a vítima
para o transporte, tendo identificado um local de aterragem num largo
próximo, a cerca de 1,3 quilómetros de distância, a sul da pedreira,
para onde a vítima seria transportada de ambulância para posteriormente
seguir de helicóptero.Alguns elementos dos bombeiros locais e da GNR encontravam-se no largo, a preparar a chegada do aparelho.