Pilotos de barra e portos em greve pela reforma a partir dos 60 anos, diz sindicato
19 de nov. de 2022, 11:00
— Lusa /AO Online
Esta greve, sob a forma de uma paralisação total do trabalho, abrange os pilotos de barra e portos de todo o território nacional, refere o pré-aviso de greve enviado pelo sindicato Oficiaismar, a que a agência Lusa teve acesso.Estes trabalhadores reclamam a “implementação do projeto de proposta de diploma, subscrito pelos sindicatos representativos dos pilotos de barra e portos e pelas administrações portuárias em 07 de agosto de 2019”.O acordo “reconhece a natureza especialmente penosa e desgastante da atividade profissional exercida pelo pessoal técnico de pilotagem ao serviço das administrações portuárias, garantindo a estes profissionais a justa possibilidade da aposentação/reforma a partir dos 60 anos de idade”, refere o sindicato.À agência Lusa, Aristides Bicho, de 64 anos, piloto no Porto de Lisboa há 33 anos, explicou que o acordo surgiu depois de um pedido das próprias administrações portuárias, que estavam “conscientes da situação laboral” e média etária próximas dos 60 anos.“Foi feito um diagnóstico bastante prolongado, apontando soluções transcritas nesse mesmo documento. Resultou de reuniões entre as partes e nada foi feito ao acaso”, sublinhou.“Aguardávamos por este projeto, com a promessa que fosse levado a Conselho de Ministros. Este dossiê acabou por ser passado por governos posteriores sem nada acontecer. Houve promessas vãs, justificações negativas, com desculpas do Governo”, acrescentou.O ‘verter do copo de água' surgiu em 21 de setembro, depois de uma reunião com o Ministério das Infraestruturas e Habitação onde os pilotos receberam um “não” por parte do Governo, salientou Aristides Bicho.Para o piloto do Porto de Lisboa, esta reivindicação é “uma questão de justiça” que nem envolve qualquer “pedido de aumento de ordenados”.“Corremos riscos diariamente, nomeadamente no inverno. A questão dos 60 anos não é mandatória, ou seja, qualquer um dos pilotos que chegar aos 60 anos terá a possibilidade, se assim o entender, de pedir a aposentação. Uma reforma sem penalizações, é o que pedimos”, realçou, lembrando o “enquadramento profissional de atuação em mar aberto e águas restritas que mais ninguém tem”.Aristides Bicho avisa que a melhor greve “é evitá-la”, lembrando que por isso é que aguentaram “três anos e três meses”, apesar dos períodos anómalos a nível pessoal, social e económica, como a pandemia de covid-19 e o atual contexto de guerra.“Enquanto pilotos, como pessoas versadas na economia do mar e gestão, sabemos o quanto é importante termos o país a funcionar. Os pilotos da barra estiveram sempre ao serviço do país”, sublinhou ainda.A greve decorrerá entre as 00:00 de 29 de novembro até ao final de 30 de novembro e entre as 00:00 de 06 de dezembro e o final de 07 de dezembro, estando assegurada a prestação de serviços mínimos, segundo o documento do sindicato.O pré-aviso de greve foi enviado às administrações portuárias dos Portos de Viana do Castelo, Douro e Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal e Sesimbra, Sines e Algarve, Região Autónoma da Madeira e Portos dos Açores.