Piloto de helicóptero que caiu no Douro diz que ave na linha de voo o obrigou a desvio
3 de set. de 2024, 17:58
— Lusa/AO Online
Os dados constam de
uma nota informativa divulgada pelo Gabinete de Prevenção e
Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários
(GPIAAF), a que a agência Lusa teve acesso, com as primeiras evidências
do acidente, ocorrido na sexta-feira, em Lamego, e que causou a morte a cinco militares da GNR/Unidade de Emergência, Proteção e Socorro (UEPS),
que regressavam de um incêndio, no concelho de Baião.Este
organismo refere que “no voo de regresso à base de Armamar (Viseu) a
aeronave iniciou uma descida constante, onde sobrevoou a margem esquerda
(sul) do rio Douro em direção à cidade de Peso da Régua”.“No
decurso dessa descida, segundo as declarações do piloto [único
sobrevivente], este terá observado uma ave de médio porte à mesma
altitude e na trajetória do helicóptero, que o obrigou a executar um
desvio à direita, retomando a rota logo de seguida. Dos dados recolhidos
até ao momento não foi possível determinar de forma independente o
ponto de execução dessa manobra”, sublinha o GPIAAF.Em
sequência, acrescenta a investigação, “mantendo a descida
em direção ao rio em volta à esquerda, a aeronave colidiu com a
superfície da água com uma velocidade em torno dos 100 nós (185 km/h)
por motivos a determinar”.“No processo de
dissipação de energia ocorrido durante a colisão, o piloto, sentado à
direita, e o ocupante da cadeira esquerda do cockpit foram projetados
para fora da aeronave. Da colisão resultaram ferimentos fatais para os 5
elementos da UEPS e ferimentos graves do piloto, que conseguiu vir à
superfície e ser resgatado por pessoas no local”, lê-se ainda na nota informativa.Segundo o GPIAAF, “as evidências sugerem que o motor da aeronave estava a produzir potência no momento da colisão”.“Da
violenta colisão com a água, o helicóptero sofreu uma deformação da
cabine incompatível com a sobrevivência dos seus ocupantes. A
integridade estrutural ficou comprometida, libertando parte dos
elementos de revestimento em material compósito”, descreve o documento.Os
componentes de baixa densidade ficaram à superfície enquanto os
restantes destroços assentaram no leito do rio “entre quatro e seis
metros de profundidade numa área de aproximadamente 3.600 metros
quadrados”.O GPIAAF refere ainda que o
helicóptero regressou à base de Armamar depois de constatar que não era
necessária a sua intervenção.“Ao
sobrevoarem a localidade de Fojo, [concelho de Baião], após avaliação do
cenário pelo chefe de equipa da UEPS a bordo, foi decidido o
regresso da aeronave à sua base por não se justificar o emprego dos
meios num incêndio com o perímetro já circunscrito”.A
bordo, aquando do acidente que aconteceu na zona de Samodães, concelho
de Lamego (Viseu), seguiam cinco militares UEPC da GNR e o piloto, o
único sobrevivente, que continua internado no hospital, mas fora de
perigo.Os
militares que perderam a vida neste acidente tinham entre os 29 e os 45
anos, três eram naturais de Lamego, um de Moimenta da Beira e outro de
Castro Daire, no distrito de Viseu.O
helicóptero acidentado, do modelo AS350 – Écureuil, era operado pela
empresa HTA Helicópteros, sediada em Loulé, Algarve, e o acidente
aconteceu quando regressava ao Centro de Meios Aéreos de Armamar.