PGR garante estar "a fazer tudo" para evitar greve dos magistrados do Ministério Público
4 de jul. de 2025, 16:44
— Lusa/AO Online
Amadeu Guerra falava durante e após uma visita ao Tribunal Judicial de Almada, no distrito de Setúbal.Na
reunião com os magistrados e outros agentes de Justiça presentes, o
procurador-geral da República disse que existe um problema grande de
falta de magistrados do Ministério Público (MP) que deve ser resolvido
em termos estratégicos, uma vez que é esperado que se jubilem 50
magistrados este ano e 70 em 2026.“Fiz
diligências para evitar a greve do Ministério Público numa reunião com a
ministra. Estamos ambos empenhados em fazer o que é possível, mas a
falta de magistrados do MP é um problema crónico que deve ser resolvido
em termos estratégicos”, disse.Amadeu
Guerra disse que é necessário ver de forma realista quantos magistrados
se vão jubilar nos próximos quatro ou cinco anos e fazer uma programação
com tempo.Em declarações aos jornalistas
sobre a questão da greve, o PGR acrescentou que concorda com o Sindicato
dos Magistrados do Ministério Público de que há falta de magistrados.“Eles entendem isso, eu também entendo, portanto, estamos eventualmente do mesmo lado”, disse.O
Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) anunciou uma
paralisação nacional para os dias 9 e 10 de julho e paralisações
regionais para 11, 14 e 15 de julho, para contestar o movimento de
magistrados.O sindicato acusa o Conselho
Superior do Ministério Público (CSMP) de criar "uma magistratura
'multitask' e generalista, espetando o último prego na tão almejada e
apregoada especialização", com agregações como execução e cível em
municípios diferentes, ou família e menores, cível e crime num só lugar.O
sindicato admite também recorrer a outras formas de luta a partir de 01
de setembro, data em que se efetiva o movimento anual de magistrados.Questionado
sobre a questão do movimento anual dos magistrados, Amadeu Guerra disse
ser defensor da especialização, tendo esta sido criada por si,
juntamente com a antiga Procuradora-Geral da República Joana Marques
Vidal, quando ambos estavam no Departamento Central de Investigação e
Ação Penal.“Comigo não vai terminar
especialização absolutamente nenhuma. Que estejam descansados quanto a
isso. Também não vamos deixar de pagar as acumulações, que isso que seja
claro”, frisou Amadeu Guerra em declarações aos jornalistas.Na
Assembleia-Geral Extraordinária que decidiu a greve foi ainda
recomendada à direção "a instauração de uma ação de impugnação judicial
da deliberação do movimento, bem como da respetiva providência
cautelar". O aviso para o próximo
movimento de magistrados do Ministério Público, que produz efeitos a
partir de setembro, foi contestado pelo SMMP.Em
causa está o aviso publicado em 04 de junho em Diário da República que
inclui lugares a ocupar pelos procuradores a partir de setembro em
vários departamentos e tribunais em simultâneo.Depois
de uma reunião com o SMMP, que contestou o diploma, Amadeu Guerra
comprometeu-se a levar o tema ao CSMP, a que preside, e adiantou ter
sido por proposta sua que o Conselho decidiu manter o movimento, mas
introduzindo algumas alterações para evitar arbitrariedade e sobrecarga
na distribuição de serviço aos procuradores.Segundo
as alterações aprovadas, qualquer acréscimo de funções aos procuradores
decidido por um coordenador de comarca tem que passar por uma
hierarquia de aprovação até ser ratificado, devendo ser comunicado pela
comarca ao procurador-geral regional respetivo e por este ao CSMP, tendo
sido um dos pedidos do sindicato que Amadeu Guerra disse ter sido
considerado relevante pelo CSMP.Em reação,
o SMMP, que exigia a anulação do movimento de magistrados deste ano e
das regras que lhe estão subjacentes, “lamentou profundamente” a decisão
de o manter, declarando-se “forçado a recorrer a formas de luta” para
travar esta decisão.