PEV contra construção de edifício no miradouro da Lagoa do Fogo nos Açores
25 de jul. de 2022, 12:19
— Lusa/AO Online
“Seria criminoso levar avante a
realização de uma obra pesada no miradouro que a todos pertence e neste caso particular deve ser
deixado às gerações futuras”, afirmou o partido, em comunicado de
imprensa.A intervenção foi alvo de
uma petição, subscrita por várias associações ecologistas, que conta com
mais de 900 assinaturas e que reivindica que o executivo abandone
“totalmente” o projeto de construção na zona do miradouro da Lagoa do
Fogo e explore “soluções integradas e sustentáveis” para fazer face aos
impactos do aumento da carga turística no local.O partido Os Verdes manifestou também a sua “oposição” ao projeto, alertando para a importância da preservação da Lagoa do Fogo.“Não
há qualquer garantia de que esta obra venha a controlar o acesso à
caldeira da Lagoa do Fogo pelo que, também por aí, o PEV não vê motivos
para se fazer uma obra de forma permanente e irreversível, com
balneários, numa área de extrema importância para as populações
residentes, fauna, flora e/ou turismo”, frisou.Para
Os Verdes, o turismo não pode colocar em causa um local com “enorme
importância no equilíbrio dos ecossistemas insulares, na proteção da
biodiversidade do país e na qualidade de vida das populações”.“O
crescente interesse pelo turismo nos Açores, e em particular na ilha de
São Miguel, tem levado a um aumento da pressão humana sobre zonas
sensíveis como é a Lagoa do Fogo e conduzido à ideia de que intervir com
obra pesada será a melhor forma de potenciar esse interesse turístico”,
refere o partido. Os Verdes “discordam
desta forma de encarar as paisagens naturais/selvagens como mero produto
de mercado cujo lucro deve ser potenciado”, sublinha.O
PEV salienta que a Lagoa do Fogo é “uma das mais antigas áreas
protegidas do país”, tendo sido classificada como Reserva Natural em
1974 e integrada no parque natural de São Miguel em 2009.O
partido lembra ainda que a Reserva Natural da Lagoa do Fogo foi
inserida na Rede Natura 2000, como zona especial de
conservação, classificada como Sítio Ramsar e integrada no projeto
ambiental Biótopo CORINE, “atendendo à importância do seu ecossistema e à
presença de flora e fauna endémica”.O
deputado único da Iniciativa Liberal (IL) nos Açores, Nuno Barata,
entregou, em maio, um projeto de resolução na Assembleia Legislativa da
região, que propõe, como alternativa ao projeto de requalificação do
miradouro da Lagoa do Fogo, um serviço de 'shutlle' para evitar
congestionamentos e sobrecarga de viaturas e turistas.Em
novembro de 2019, o Governo Regional, liderado pelo PS, apresentou um
projeto para a requalificação do miradouro da Lagoa do Fogo, que
projetava a criação de um novo ponto de acesso, localizado no interior
da caldeira, através da construção de um túnel.O
executivo açoriano de então assegurava que a obra teria um reduzido
impacto visual e respeitaria a reserva natural, mas o projeto mereceu
contestação de associações ambientalistas.O atual Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), que tomou posse em novembro de 2020, apresentou um novo projeto, em julho de 2021.O
secretário regional do Ambiente e Alterações Climáticas, Alonso Miguel,
disse, na altura, que o novo projeto teria o “menor impacto ambiental e
paisagístico possível”, sendo eliminados “o túnel a escavar no interior
da vertente da caldeira da Lagoa do Fogo”, “o edifício que seria
escavado no interior da vertente” e “os novos miradouros e plataformas
na vertente da Lagoa”.