Petição quer adiar decisões sobre gestão de resíduos em São Miguel
3 de fev. de 2020, 20:30
— Lusa/AO Online
A petição pública lançada
pelo movimento cívico “Salvar a Ilha” quer “garantir que, até à revisão e
reavaliação global do PEPGRA, não serão tomadas decisões com potencial
para subverter a vigência do princípio da hierarquia de gestão de
resíduos no território dos Açores, bem como impedir o cumprimento das
metas da reciclagem e a transição para uma ‘economia circular’”.“Não
podemos aceitar que os dirigentes da AMISM [Associação de Municípios da
Ilha de São Miguel]/Musami [empresa intermunicipal de gestão de
resíduos] continuem a afirmar que as suas opções cumprem o Plano de
Gestão e Prevenção de Resíduos dos Açores, ao mesmo tempo que o Governo
Regional diz que o PEPGRA não obriga ao que estas entidades dizem ter
de cumprir”, lê-se no documento.Depois de
reunir com a AMISM, em 24 de janeiro, Filipe Tavares, representante do
movimento cívico que promove a petição, disse à agência Lusa que a
solução ideal seria “o envio do refugo de São Miguel para eliminação na
ilha Terceira”, onde já existe uma incineradora com capacidade para
55.000 toneladas/ano e que, atualmente, recebe o refugo de sete ilhas
açorianas e queima 24.000 toneladas/ano, “o que deixa uma margem
excedentária na ordem das 31.000 toneladas, que é suficiente para
absorver o refugo de São Miguel”.O
movimento que junta várias associações ambientalistas considera que “a
construção de uma central de valorização energética por incineração na
ilha de São Miguel só deverá ocorrer” se for garantida a “plena
observância da hierarquia da gestão de resíduos”, se for “assegurado o
cumprimento das metas definidas pela União Europeia”, que ditam que, até
2025, 55% dos resíduos sólidos urbanos devem ser reciclados, e se não
foram incinerados resíduos que possam ser reciclados.A instalação de uma incineradora na ilha de São Miguel tem sido alvo de debate ao longo dos últimos anos. Em
2016, a AMISM decidiu, por unanimidade, avançar com a construção de uma
incineradora de resíduos, orçada em cerca de 60 milhões de euros.Além
das contestações por parte de associações ambientalistas, o concurso
para a construção da incineradora na maior ilha dos Açores esteve sob
alçada da justiça devido a queixas por parte de um dos concorrentes, a
empresa Termomeccanica, que foi excluída em detrimento do consórcio
luso-alemão formado pela CME e Steinmüller Babcock Environment.Em
outubro passado, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada
decidiu anular a adjudicação da construção da incineradora ao consórcio
CME/Steinmuller Babcok Environment, por parte da Musami - Operações
Municipais do Ambiente, EIM SA.Na altura, o
movimento "Salvar a Ilha" congratulou-se com a decisão judicial de
anular a adjudicação, pedindo que o projeto fosse "blindado".Em
dezembro, os seis municípios de São Miguel decidiram avançar com um
novo concurso para a construção de uma incineradora na ilha açoriana,
com menos 30 por cento da capacidade inicialmente prevista. O
Bloco de Esquerda contestou a decisão, apresentando um projeto de
resolução no parlamento açoriano para travar a iniciativa, que contou
apenas com o voto favorável do deputado único do PPM, tendo sido
chumbado.