Petição no Brasil recolheu mais de 500 mil assinaturas em defesa da democracia
1 de ago. de 2022, 15:18
— Lusa/AO Online
Lançada
por membros da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP),
esta “Carta aos Brasileiros e Brasileiras em defesa do Estado
democrático de direito”, passou as 546.000 assinaturas a meio do dia de
hoje, a dois meses antes das eleições presidenciais.“Vivemos
num momento de grande perigo para a normalidade democrática, de risco
para as instituições, com insinuações de não respeito pelo resultado das
eleições”, estimam os autores do texto, assinado igualmente por antigos
juízes do Tribunal Supremo, e numerosos artistas, como o cantor Chico
Buarque.A petição fala em “ataques
infundados e sem prova que colocam em causa o processo eleitoral do
Estado democrático de direito eleitoral conquistado pela luta da
sociedade brasileira”.“Ameaças contra
outros poderes (…), a incitação à violência e à rutura institucional são
intoleráveis”, prossegue o texto, sem nunca mencionar Bolsonaro.O
chefe de Estado do Brasil, no poder desde o início de 2019 e candidato a
um segundo mandato, não tem parado de criticar o sistema de voto
eletrónico em vigor naquele país desde 1996, alimentando a ideia de que
não irá reconhecer o resultado das eleições presidenciais se for
derrotado.A petição da USP recolheu
assinaturas de importantes associações patronais como a influente
federação dos bancos (Febraban), e a Federação das Indústrias de São
Paulo (Fiesp), vistas por observadores como uma mudança no apoio de 2018
ao Presidente da República.“Quem está
contra a democracia no Brasil? Nós somos pela transparência, a
legalidade. Nós respeitamos a Constituição. Não percebi esta petição”,
reagiu Bolsonaro na sua página da rede social Facebook.Numa
sondagem realizada pelo instituto de referência Datafolha, publicada na
quinta-feira, Bolsonaro registava 18 pontos de diferença - em
desvantagem - em relação ao candidato de esquerda e ex-Presidente Luiz
Inacio Lula da Silva (2003-2010), grande favorito do escrutínio, com 47%
de intenções de voto, contra 29% para o atual Presidente de direita.