Petição defende igualdade de oportunidades no acesso à educação
2 de abr. de 2024, 09:20
— Rafael Dutra
Uma educação para todos, assente no princípio da educação inclusiva, que
vise o “acesso, a participação e a aprendizagem de todos os alunos,
independentemente das suas características, necessidades, habilidades ou
diferenças”.Estas são as reivindicações de pais e educadores de
educação mencionam numa petição que urge alterações à Portaria n.º
58/2023, de 10 de julho - Programas Específicos de Escolarização e
Formação.Enviada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos
Açores, esta petição, intitulada ‘Pela igualdade de oportunidades no
acesso à educação - Revisão da Portaria n.º 48/2023 de 10 de julho’,
reforça que esta portaria vem dar “um passo atrás nos valores da
inclusão”.“[A portaria] vem dizer” que “um conjunto de alunos, que
constituem uma amálgama de características díspares entre eles, com
necessidades apostas, devem ficar confinados a um programa igual para
esse mesmo grupo”, lê-se na petição, onde se sublinha que isto é uma
resolução que “não responde às necessidades individuais [dos alunos]”.Os
peticionários fundamentam ainda que acreditam que a portaria abre
caminho para “decisões pouco fundamentadas, enormemente subjetivas,
envolvidas em arbitrariedade, consoante seja a visão, por vezes,
limitadora de impor o que a criança deve ou não aprender”. E, por esta
razão dizem ainda que esta situação pode limitar a evolução dos alunos.“Consideramos
que os desafios que se colocam na implementação da educação inclusiva
não podem restringir direitos basilares no acesso à educação, à
participação num currículo diversificado, à continuidade da progressão
ao longo da escolaridade obrigatória, não podem impedir o acesso aos
mesmos contextos educativos, nem podem afastar precocemente crianças e
jovens açorianos do ensino regular, que a atual Portaria potencia”, é
assinalado na petição.Neste sentido, é também criticado que esta
Portaria, invés de complementar a resposta da escola, “restringe opções e
obsta ao exercício de direitos fundamentais, nomeadamente o direito à
inclusão”. “Apelamos à sua revisão integral para um melhor e mais
justo enquadramento das respostas em linha com a educação inclusiva. Que
possa assegurar a opção por percursos de cariz profissionalizante ou
vocacional, mas sem prejuízo dos princípios da educação inclusiva, na
exploração do potencial de cada aluno e não no enfoque das suas
incapacidades”, apela Susana Brum Martins Pamplona, a primeira
peticionária.