Petição contra obra do porto da Horta já reuniu mais de 300 assinaturas
1 de ago. de 2019, 17:33
— Lusa/AO Online
"O porto da Horta é
um porto pequeno e limitado e não concordamos, de maneira nenhuma, que
seja entulhado com pedra e betão", explicou o empresário José Henrique
Azevedo, proprietário do Peter Café Sport, primeiro subscritor da
petição, que apela à população local para que salve o porto da Horta.Em
causa está a construção, programada pela empresa Portos dos Açores, de
um novo cais acostável, com mais de 300 metros de comprimento, no
interior do porto, que servirá para prolongamento da marina, mas que só é
acostável por um dos lados, uma vez que leva enrocamento exterior, para
dissipar a agitação marítima."A ondulação
que existe no porto, vai continuar a existir", insistiu José Henrique
Azevedo, ladeado por um grupo de empresários e operadores turísticos que
contesta a obra, adiantando que, para reduzir a agitação marítima no
interior daquela infraestrutura "é preciso fazer alguma coisa fora do
porto e não dentro".O projeto, já
apresentado publicamente pelo presidente do Governo dos Açores, Vasco
Cordeiro, aguarda apenas o estudo de impacto ambiental para que a obra
possa ser lançada a concurso, mas, apesar disso, tem sido muito
contestado na ilha."A maioria das pessoas
tem de estar a favor destas obras e, neste momento, não é isso que
acontece", recordou o proprietário do café Peter, lamentando que esta
intervenção esteja a ser "imposta" aos faialenses, sem que ninguém tenha
pedido nada.A obra relativa à 2.ª fase da
requalificação do porto da Horta está orçada em cerca de 18 milhões de
euros, mas nem isso serve de justificação, no entender de José Henrique
Azevedo, para aquilo que se pretende fazer no local."As
obras no mar são quase sempre irreversíveis. Não podemos fazer isto de
ânimo leve. Não podemos estar apressados por causa de 18 milhões de
euros", advertiu o empresário, recordando que "o futuro do Faial não se
pode vender" por esse preço.Na sua
opinião, há que avaliar, por exemplo, se a futura obra irá pôs em causa a
qualidade ambiental da água do porto, uma vez que grande parte da baía
interior ficará ligada ao mar por uma "boca" de apenas 50 metros de
largura."Há também que avaliar o valor
paisagístico e estético desta intervenção, que é também fundamental para
todas as pessoas", frisou José Henrique Azevedo, recordando que a baía
da Horta é considerada "uma das mais belas baías do mundo".A
petição já reuniu mais de 300 assinaturas, mas vai continuar a circular
até setembro, para só depois dar entrada na Assembleia Legislativa dos
Açores.